Do Mais Goiás

Em depoimento de três horas, João de Deus nega ter cometido abusos contra fiéis

PC reforça que médium deverá ser ouvido novamente ainda nesta semana, já que a intenção é concluir o inquérito em 15 dias. Delegado-geral tem encontro com membros de força-tarefa nesta segunda (17)

O médium João de Deus prestou um depoimento de três horas na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), em Goiânia, após ter sido detido em Abadiânia na tarde de domingo (16). Ele que é alvo de 15 inquéritos por abuso sexual na Polícia Civil (PC) goiana, negou as acusações. De acordo com o delegado-geral da corporação, André Fernandes, todas os questionamentos formulados pela força-tarefa foram respondidos e tudo indica que João será ouvido novamente ainda nesta semana.

Além da nova oitiva, outras diligências deverão ser realizadas para recolhimento de informações e provas. “Ele nega as acusações, alega não ter cometido os abusos e que os atendimentos eram coletivos e prestados a pessoas que apareciam voluntariamente. Temos sete páginas de um relatório detalhado feito após as declarações e queremos encerrar as investigações num prazo de 15 dias”, ressalta.

Na tarde desta segunda-feira (17), o delegado se reunirá, em seu gabinete, com membros da força-tarefa do Ministério Público estadual (MP-GO). O objetivo, segundo Fernandes é a troca de informações e alinhamento dos próximos passos do inquérito. Além disso, a Deic deverá receber nesta data, a partir das 14h30, uma 16ª vítima declarada de João de Deus.

O médium João de Deus deixa a Deic após prestar depoimento na noite de domingo (16). (Foto: Walterson Rosa/Folhapress)

Informalmente, mais de 330 denúncias já foram colhidas pelo Ministério Público de São Paulo, que também conduz um inquérito contra o médium. Conforme explica André, os números da PC goiana são menores porque trabalham apenas com casos em que vítimas compareceram à delegacia, registraram ocorrência e deram início a um inquérito.

“Temos depoimentos detalhados dessas, até o momento, 15 mulheres. Inclusive os utilizamos para representar pela prisão preventiva cumprida no domingo. Não colhemos informações do MP de São Paulo, mas pretendemos fazer esse intercâmbio hoje com o MP de Goiás”, revela o delegado-geral.

O Mais Goiás tentou, sem sucesso, contato com a defesa e assessoria de imprensa de João de Deus. No entanto, durante a coletiva de domingo (16), o advogado Alberto Toron ressaltou a possibilidade de que um habeas corpus fosse impetrado nesta segunda. A intenção, segundo ele, é de que João cumpra prisão domiciliar. Confira trecho de entrevista coletiva concedida por Toron no domingo:

 

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Enquanto isso não ocorre, o médium permanece em uma cela de 16m², com outros três detentos, advogados, no Núcleo de Custódia, situado no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. O cárcere, de acordo com a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP), é chamada pelo órgão de “estado maior” e fica separada dos demais prisioneiros. Confira imagens de quando João deixou, no domingo, o Instituto Médico Legal (IML) rumo ao complexo:

 

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