Operação Lava Jato

Em depoimento à PF, Lula critica Lava Jato e admite amizade com Bumlai

Lula afirmou que a investigação de integrantes de seu governo na Lava Jato faz parte de um "processo de criminalização do PT"




Em depoimento à Polícia Federal, prestado na quarta-feira (16), o ex-presidente Lula afirmou que a investigação de integrantes de seu governo na Lava Jato faz parte de um “processo de criminalização do PT” e admite relação de “amizade” com o pecuarista José Carlos Bumlai, um dos presos da operação.

O petista ainda saiu em defesa do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, acusado de operar propinas para o partido, além de indicar que cabia ao ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), preso no mensalão e no petróleo, concentrar discussões de indicações políticas de seu governo.

O ex-presidente falou aos investigadores na condição de informante em um inquérito do STF que investiga se houve organização criminosa atuando na Petrobras.

Para o ex-presidente, as investigações da Lava Jato envolvendo pessoas de seu governo são motivadas por três fatores: processo de transparência e aprimoramento dos órgãos de fiscalização e controle durante os governos do PT; imprensa livre; e a “um processo de criminalização do PT. Lula disse ainda que “não existe até o momento qualquer conclusão final destes apuratório”.

Ele disse que não sabia de atos de corrupção na Petrobras e que isso não foi identificado por órgãos de controle. Afirmou ainda que não acredita que políticos de partidos aliados tenham recebido propina da Petrobras.

Lula admitiu que hospedou Bumlai na residência oficial da Granja do Toro, uma espécie de casa de campo da Presidência em Brasília, mas não soube precisar quantas vezes. O ex-presidente, no entanto, negou que tenha tratado com o amigo qualquer negociação irregular e nem questões financeiras.

Salim Schahin, um dos donos do Banco Schahin, afirmou em acordo de delação premiada que o empréstimo de R$ 12 milhões, feito em 2004, pelo PT nunca foi pago. Em troca do perdão da dívida, segundo ele, a Petrobras deu a uma empresa do grupo Schahin um contrato de R$ 1,6 bilhão. Bumlai, que tomou o valor emprestado, confirmou a fraude e afirmou em uma confissão que os R$ 12 milhões foram para o caixa dois do PT. Ele fez a confissão em busca de uma pena menor.

Lula contou que conheceu Bumlai em 2002, durante a gravação de um programa eleitoral na fazenda do pecuarista e que indicou Bumlai para integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo, órgão também formado por empresários. (Da Folha)