“Ele não matou só minha filha e o próprio filho. Matou toda a minha família,” diz mãe de mulher assassinada por motorista

Família de São Paulo já encaminhou representantes a Goiânia, para reconhecimento e liberação de corpo, que deve ser encaminhado para velório em São Paulo


Jairo Menezes
Do Mais Goiás | Em: 04/06/2018 às 18:11:01

Doralice Ferreira, mãe de Denise Ferreira (Foto: Mais Goiás)
Doralice Ferreira, mãe de Denise Ferreira (Foto: Mais Goiás)

A notícia da prisão do motorista Aginaldo Viríssimo Cuelho, de 50 anos, chegou através de uma ligação da equipe do Mais Goiás à família. Doralice Ferreira, 67, é mãe de Denise Ferreira da Silva, 34, grávida de quatro meses que foi morta pelo pai da criança que gerava, na madrugada desta segunda-feira, 4, no Setor Caravelas. A família da vítima mora na Zona Norte de São Paulo-SP, e a mãe se sente aliviada, mas a sensação de impunidade é evidente, diante da realidade criminosa, que agora faz de vítima a filha que decidiu morar com o marido em Goiás.

Doralice, teve duas filhas, Denise e Juliane Ferreira de Souza, 32. Mãe cuidadosa, criou as duas sustentando a família por dias e noites em cima de uma máquina de costura. Religiosa, da Congregação Cristã do Brasil, sempre quis ter a família reunida, na Freguesia do Ó. “Mas Denise era independente, e quando colocava uma coisa na cabeça, era complicado tirar”, disse.

O homem que matou a própria esposa, antes de trazer Denise para morar com ele em Goiânia, chegou a ir à casa de Doralice. “Eu até disse a ele: ‘Não maltrata minha filha por favor, porque quando ela precisar, a minha casa é onde ela pode voltar’, e ele me disse que trataria ela muito bem”, disse.

Apesar de satisfeita com a prisão, e confortada da justiça ser feita em curto prazo, a mulher não esconde a sensação de impunidade. “Ele vai cumprir um terço da pena e depois vai ser colocado em liberdade.”

Denise Ferreira da Silva estava grávida de quatro meses quando foi morta a tiros pelo ex, em Goiânia: Filho de 6 anos viu crime (Foto: Arquivo Pessoal)

INDEPENDENTE
Denise era independente. Cursou Logística, pagou sozinha o curso, e tinha um filho de seis anos de um relacionamento anterior. Ela era encarregada de uma empresa de reparação de para-brisas de veículos de grandes portes (caminhões e ônibus), e foi na empresa que conheceu Aginaldo Veríssimo.

Ele era motorista de ônibus de uma dupla sertaneja que não era a mesma de hoje. Aginaldo teria ido à empresa que Denise trabalhava para arrumar um vidro do ônibus da dupla sertaneja que havia quebrado. Os dois namoraram à distância por quase dois anos. Há dois anos ela recebeu o convite para seguir com Aginaldo para Goiânia.

Denise tinha o próprio carro, um apartamento em São Paulo, mas seguiu o novo romance, e saiu do trabalho para viver com Aginaldo uma nova vida em Goiânia. Comprou a casa no condomínio fechado, e comprou os móveis em São Paulo para encaminhar em um caminhão de mudanças para a Capital de Goiás.

Os dois viveram dois anos um namoro à distância, segundo a família de Denise, antes de a paulista se mudar para Goiânia (Foto: Arquivo Pessoal)

Já morando em Goiânia, com Aginaldo, Denise descobriu em outubro passado que ele tinha uma vida dupla. Uma outra casa, na mesma região, era mantida com filhos e uma esposa. Denise, enfurecida, queria acabar com todo o relacionamento. Aginaldo abandonou a outra família, e prometeu oficializar a relação com a paulista: se casaram, mas as brigas eram constantes.

Há uma semana os dois estavam separados, e viviam de forma já independente. Na noite anterior, segundo a Polícia Civil, Aginaldo estaria na casa de um filho, no mesmo condomínio, quando decidiu ir até a casa de Denise. Os dois discutiram e, quando ela percebeu que ele estava armado, tentou correr para a rua. Denise foi atingida com um tiro na perna, segundo o delegado Ernani Cazer, que foi ao local do crime, e quando caiu, já na rua, na porta de casa, Aginaldo encostou a arma na cabeça da vítima, e deu o tiro fatal.

A perícia de local encontrou várias capsulas de arma de fogo dentro do carro de Aginaldo. Ele fugiu a pé, levando a arma do crime, segundo o delegado.

LIBERAÇÃO DO CORPO
Tia materna de Denise, a advogada Idivonete Ferreira Martins veio de São Paulo junto com o pai da criança, de 6 anos.

A intenção é proceder com a liberação do corpo do Instituto Médico Legal (IML) e fechar a casa de Denise, além de buscar a criança, que está sob os cuidados de uma vizinha. A intenção da família é fazer velório e sepultamento em São Paulo.

A prisão de Aginaldo aconteceu em Anápolis, por agentes da Delegacia de Investigação em Homicídios (DIH), e durante esta tarde o delegado Danilo Proto faz uma entrevista coletiva para informar à imprensa como os investigadores chegaram ao suspeito. Está prevista para esta terça-feira, 5, às 10 horas, uma entrevista coletiva, após a coleta do depoimento formal de Aginaldo Viríssimo.

Aginaldo foi preso em Anápolis, por agentes da Delegacia de Investigação em Homicídio (Foto: Polícia Civil)