ELEIÇÃO | GOIÂNIA

Dra. Cristina retira candidatura a prefeita e diz que foi sabotada pelo partido

Vereadora disse, ainda, que não irá concorrer a reeleição para uma cadeira na Câmara municipal


Francisco Costa
Do Mais Goiás | Em: 17/09/2020 às 16:21:15

(Foto: Mais Goiás)
(Foto: Mais Goiás)

A hoje vereadora Dra. Cristina (PL) anunciou, na tarde desta quinta-feira, que não será mais candidata a prefeita de Goiânia. O partido dela optou por abdicar do direito de lançar chapa própria para apoiar a postulação de Maguito Vilela (MDB). Ao anunciar que desistiria, Dra. Cristina despejou artilharia sobre o seu partido: “Fui sabotada pelo PL”.

“Talvez Adriana Accorsi e Manu Jacob (PSOL) seja a única [mulher neste pleito em Goiânia] que não foi traída”, disse ela ao lembrar que Maria Ester (Rede) também seria candidata, mas foi preterida, assim como a candidata a vice, Nega na Moda (Avante), que deixou a chapa quando Wilder se juntou a Vanderlan.

Cristina foi eleita vereadora em 2012 e reeleita em 2016. Em 2018, tentou ser eleita deputada estadual, teve quase 30 mil votos, mas não se elegeu. Então, ela lembrou que começou a articular para tentar a disputar a prefeitura de Goiânia, mas o PSDB, o seu partido à época, não deu condição.

“Comecei a conversar e entrei no PL com a garantia de que sairia candidata. Mas fui sabotada pela Executiva Estadual do PL, pelo seu presidente Fábio Canedo. Pela deputada federal Magda Mofatto“, disse. Segundo ela, o apoio a Maguito não seria o meu para ela, mas sim um acordo coletivo. “Podíamos apresentar uma proposta diferenciada, mas não deixaram. Não só eu, mas todos o grupo que me apoia, os pré-candidatos. As mulheres desse País foram traídas. Por outra mulher.”

Segundo Cristina, o argumento é de que ela não cresceu em pesquisa e que não tinha vice. “O que não nunca foi colocado na mesa e que também não é verdade. Já tínhamos o primeiro programa. E a programa não tinha começado.”

Lembrança

Visilmente emocionada, ela também contou sua história e disse que o País vive em uma sociedade machista. “Eu fui. Um homem que dizia que me amava, que sempre usou de violência psicológica, o dia que me agrediu tentou me matar.” Era 1986, quando ela veio do Sul para Goiânia.

“Entrei no hospital em 10 de fevereiro daquele ano. Meu pai vendeu uma fazenda de porteira fechada, meus irmãos deram um tempo nos trabalhos, mas não arredaram o pé daqui.” Ela disse que pediu ao Divino Pai Eterno e foi salva.

Ela revela que passou a ser, então, uma missionária daqueles que são violentamente maltratados dentro de casa. “Um local que deveria proteger.”

Candidatura

Cristina, que já tinha lançado candidatura, na quarta-feira (16) e até vice (Coronel Luiz, também do PL). “A ata simplesmente sumiu. Queriam que ela aceitasse uma secretaria, mas ela não quis. O sonho dela é ser prefeita”, revelou uma fonte próxima da vereadora. A ata deveria ser enviada até às 14h, desta quinta.

Cristina deixou o PSDB e migrou para o PL com a promessa de disputar a prefeitura de Goiânia. “Falamos com muita gente da nacional, mas infelizmente não conseguimos reverter essa situação. Quero manifestar a solidariedade de todos que vão seguir na chapa. Terão meu apoio, minha amizade. Mas se fosse eu candidata, jamais seria por esse partido.”

Ela disse que pediram que ela saísse vereadora, pois venceria. “Eu disse que não. ‘Eu perco. As mulheres perdem’.”

Posição do Avante

O presidente do Avante, Thialu Guiotti, informou que não houve manobra partidária para impedir a candidatura de Nega na Moda. “Ela foi escolhida por nós, enquanto partido.”

Ainda segundo ele, o Republicanos, ao sair do grupo, desitradou o tempo de campanha e fez, inclusive, que o então candidato da coligação, Wilder Morais (PSC), desistisse da disputa. “A candidatura foi inviabilizada e o Avante não teve como manter apenas a vice.”

A manifestação ocorreu, uma vez que Nega na Moda foi citada na matéria.

*Atualizada às 18h32.