Karla Araujo
Do Mais Goiás

Dores musculares podem ser provocadas pelas baixas temperaturas

As queixas de dores em épocas mais frias são comumente associadas a regiões do corpo onde já existe um processo doloroso ou inflamatório

Com o frio, por conta do confinamento das pessoas e da baixa umidade do ar – o que favorece a circulação de vírus e bactérias –, é comum diagnósticos como gripes, resfriados, dermatites e conjuntivites. Mas, independentemente de vírus e bactérias, uma queixa frequente nesta época do ano é a de dores musculares, principalmente em idosos, em decorrência de estarem mais envolvidos com dores crônicas.

De acordo com o fisioterapeuta Guilherme Faleiro, do ITC Vertebral (unidade Goiânia), qualquer parte dor corpo pode estar envolvida por dores causadas pelas baixas temperaturas, mas há regiões com mais incidências a patologias. “Tornozelos, joelhos, quadril e coluna vertebral são regiões mais acometidas pela incidência do frio”, diz Faleiro, que também é osteopata.

Segundo o profissional, as queixas de dores em épocas mais frias são comumente associadas a regiões do corpo onde já existe um processo doloroso ou inflamatório, como bursites e tendinites, lombalgias, ciatalgias agudas (dor ciática) ou locais onde existam processos de dor crônica.

“É difícil quantificar essas queixas, mas percebemos que são mais comuns em idosos ou em articulações que já passaram por um processo cirúrgico. A idade e o processo cicatricial são quadros em que ocorrerão rigidez e espessamento da fáscia – tecido que recobre os músculos e está presente em todo o corpo humano –, aumentando, assim, a possibilidade de dores nesses locais”, pontua Faleiro.

O fisioterapeuta explica que a fáscia é responsável por grande parte da sustentação postural do corpo – além de proteger, transmitir força e permitir que os tecidos deslizem um sobre os outros. Portanto qualquer alteração em sua estrutura e forma vai acarretar em informações para o sistema nervoso.

“Por ter essa característica viscoelástica e ser um tecido muito sensível, a fáscia muda facilmente com estímulos internos e externos, como movimentos repetitivos em uma direção, alongamentos, pressão, calor, frio, etc. Quando se tem um estresse sobre a fáscia, como trauma ou pancada na coxa, os nervos locais enviam uma mensagem de dor para o cérebro, que mantém aquela região sensibilizada. Esse aumento de sensibilidade faz com que a fáscia permaneça mais tensa, deixando-a mais densificada no local, além de mais sensível à dor. Como a região está mais sensível, qualquer estímulo que normalmente não causaria reações acaba desencadeando processos dolorosos locais. Esse estímulo pode ser pressão, reação a substâncias químicas ou mudança de temperatura”, detalha o osteopata.

Prevenção

Sendo o desconforto ocasionado por rigidez e espessamento dos tecidos que revestem a musculatura do corpo e as conectam, o osteopata alerta sobre a importância de se manter a mobilidade dessas estruturas. “A prática de atividade física auxilia muito, pois, além de aumentar a temperatura corporal, mantém a mobilidade das fáscias e minimiza a rigidez e o espessamento”, diz Faleiro, que completa: “Exercícios, como pilates, têm efeito extremamente benéfico, pois exercitam a força muscular e o alongamento, durante a atividade, trabalhando pressão e tensão sobre a fáscia, ao mesmo tempo, modificando sua estrutura e prevenindo espessamento e rigidez. Hábitos como alongar-se todos os dias, caminhadas e corridas também auxiliam na prevenção da dor por evitar sobrecarga nesse tecido”.

Tratamento

Caso as dores já estejam instaladas de forma intensa, gerando limitações, o osteopata diz que é necessária uma abordagem mais específica. “Técnicas de liberação miofascial e osteopatia têm excelentes resultados. Com o uso dessas técnicas manuais, altera-se a organização das fibras de colágeno que formam a fáscia, permitindo que o terapeuta as reorganize nas direções corretas e restitua mobilidade e alívio das tensões locais. Como resultados, tem-se uma estrutura mais móvel e menos sensível, diminuindo as dores e permitindo a prática de atividade física”, finaliza Faleiro.