Donos de clínica de reabilitação interditada em Anápolis vendiam cigarros para internos

Local foi interditado na manhã desta terça-feira (17)

Uma força-tarefa interditou, na manhã desta quinta-feira (17), uma clínica de reabilitação de usuários de drogas e resgatou internos que eram mantidos em cárcere privado no local, que fica em Anápolis, - Donos de clínica de reabilitação interditada em Anápolis vendiam cigarros para internos
Donos de clínica de reabilitação interditada em Anápolis vendiam cigarros para internos (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Uma força-tarefa interditou, na manhã desta quinta-feira (17), uma clínica de reabilitação de usuários de drogas e resgatou internos que eram mantidos em cárcere privado no local, que fica em Anápolis, a 59,3 quilômetros de Goiânia. Segundo a delegada Cynthia Alves, os donos do local são dois irmãos e vendiam cigarros para os próprios internos que estavam lá para se recuperar.

A investigadora contou que os cigarros são de origem paraguaia e foram apreendidos. A clínica de reabilitação é uma das mais famosas e requisitadas de Anápolis. A estadia variava de R$ 1.200 a R$ 2 mil por mês. Apesar do valor cobrado, os próprios internos tinham que cozinhar e eram responsáveis, também, pela limpeza da casa. Já a lavagem das roupas era feita pela sogra de um dos donos e não era inclusa na mensalidade.

“A higiene era precária. A fossa séptica e a caixa de gordura ficavam abertas; a cozinha tinha mau cheiro; freezer e geladeiras onde os alimentos ficavam guardados estavam super sujos; os colchões eram armazenados em quartos que também não tinham qualquer tipo de limpeza”, revela Cynthia Alves.

A delegada disse que apesar da situação do local interno, a sala onde os familiares tinham acesso era organizada. “A família do interno não tinha acesso à parte de dentro. Eles não podiam entrar dentro da clínica. Por isso, muitas vezes tinham uma boa visão do estabelecimento”, disse Cynthia.

Operação

A Polícia Civil recebeu uma denúncia de que internos eram mantidos de maneira involuntária na clínica e que possivelmente sofriam maus-tratos. Quando os policiais foram até o local, eles descobriram que a denúncia era verídica. Lá, foram apreendidos simulacros de arma de fogo, espingarda de pressão e munições. Segundo relatos, os instrumentos eram utilizados pelos monitores para ameaçarem os internos.

Os responsáveis pela clínica foram autuados por posse ilegal de armas de fogo e munições, cárcere privado e por maus-tratos contra animais, já que muitos cachorros viviam em condições precárias no lugar. Os civis encontraram, também, uma cadela que foi mutilada e teve parte das orelhas cortada. Os animais foram levados pelo Centro do Zoonoses.

Além das prisões, o estabelecimento foi interditado pela Vigilância Sanitária, tendo suas portas fechadas ao final da ação. Os internos foram acolhidos pela assistência social do município e encaminhados para suas famílias. “A Polícia Civil destaca que a internação compulsória involuntária em clínicas de reabilitação constitui-se crime de cárcere privado. Ações como essa continuarão acontecendo no município para apuração das denúncias que chegam ao órgão”, informou os investigadores.

Participaram da força-tarefa o Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar, Vigilância Sanitária e Assistência Social de Anápolis.