Centro Terapêutico Iluminar

Dono de clínica de reabilitação sob suspeita de tortura é preso em Aragoiânia

Instituição foi fechada na última sexta-feira (20) por maus tratos, tortura, cárcere privado e más condições de higiene; no local, foram encontrados porretes, máquinas de choque e até um facão

Cidades

Thaynara Cunha
Do Mais Goiás | Em: 25/09/2019 às 11:50:28

Célio Luiz da Rocha era proprietário de clínica acusada de maus tratos e tortura a pacientes (Foto: Divulgação / PC)
Célio Luiz da Rocha era proprietário de clínica acusada de maus tratos e tortura a pacientes (Foto: Divulgação / PC)

Na tarde desta terça-feira (24), foi preso Célio Luiz da Rocha, proprietário do Centro Terapêutico Iluminar, em Aragoiânia, Região Metropolitana de Goiânia. A instituição foi fechada na última sexta-feira (20) por causa das más condições de higiene do local e, também, por manter em cárcere privado os pacientes da clínica. No local, foram encontrados máquinas de choque, porretes e até um facão. Além disso, remédios eram manipulados por profissionais sem preparo pra exercer a função. Segundo a corporação, até o momento, a clínica é acusada de maus tratos, tortura e cárcere privado.

A instituição possuía mais de 100 internos, dentre eles adolescentes, dependentes químicos, idosos e portadores de doenças crônicas. A ação foi realizada pela Polícia Civil (PC) e a Vigilância Sanitária. As informações são da Polícia Civil (PC). Ainda naquela sexta, a polícia prendeu os coordenadores do estabelecimento, Suzana Stuart Ferreira Medeiros e Duarte Vaz da Silva (ver foto abaixo).

O Mais Goiás tentou contato com o delegado através de ligação, às 10h40 desta quarta-feira (25), mas nossas chamadas não foram atendidas. Este portal também não conseguiu contatar a defesa de Célio Luiz.

Suzana e Duarte eram responsáveis por coordenar a instituição (Foto: Divulgação / PC)

Suzana e Duarte eram responsáveis por coordenar a instituição (Foto: Divulgação / PC)

Iluminar?

Em entrevista concedida ao Mais Goiás, na data do fechamento da clínica, Fleury informou que menores de idade, mulheres e homens dividiam os mesmos espaços. Além disso, eram internados juntos a pacientes psiquiátricos e dependentes químicos.

Em vídeos gravados pela PC, a piscina do lugar aparece com a água verde. As camas, de beliche, são de ferro e estavam enferrujadas. Os colchões são finos e aparentam ter muito tempo de uso, assim como os cobertores. Na cozinha da clínica, pilhas de vasilhas de plástico com restos de comida foram encontradas.

Dentre os relatos dos internos do Iluminar, estão os daqueles que eram buscados em casa para serem internados a força. O delegado Arthur afirmou que várias pessoas eram, até mesmo, de outros estados.

*Thaynara da Cunha é integrante do programa de estágio do convênio entre Ciee e Mais Goiás, sob orientação de Hugo Oliveira