Fabricio Moretti
Do Mais Goiás

Dono de boate se manifesta sobre comentário de Marília Mendonça

Cantora está sendo acusada de transfobia após contar história de quando um membro de sua equipe beijou uma mulher trans em Goiânia

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(Foto: Reprodução/Rede Globo)

Na manhã desta segunda-feira (10), Osvald Ribeiro, antigo dono da boate Disel, utilizou as redes sociais para se manifestar sobre as acusações de transfobia contra Marília Mendonça. Desde a noite do último domingo (9), a cantora tem sido alvo de críticas após contar uma história de quando um membro de sua equipe beijou uma mulher trans na boate, que fechou as portas em novembro de 2017.

“Muitos viram a menção da cantora à Disel, boate que fundei em 2004. Essa durou lá mais de uma década e deixou saudades”, começa o empresário. “A deusa da sofrência foi de fato infeliz ao debochar de um desses romances de balada, uma ficada de um amigo, provavelmente com uma transexual“, continua.

Em um trecho do texto, Osvald diz que o episódio foi uma “falta de empatia com o amigo e com as milhares de transexuais que consomem o seu trabalho [da cantora]”.

“O que Marília fez foi cruel. Tão cruel quanto o que as mulheres transexuais passam diariamente ao andar na rua, ao ser desconsideradas da vaga de emprego, ao serem insultadas por ser quem são. Não dá para permitir desrespeito. A piada não só agride o coração, mas gera a morte de dezenas. Não nos calemos. Transfobia mata!”, publicou.

Confira na íntegra o posicionamento do dono da Boate Disel:

 

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Desde sábado meu cel. não para de tocar, recebo até 200 + recados qto ao assunto “MARIA MENDONÇA” que muitos sabem e viram a menção da cantora referir à DISEL, boate que FUNDEI em 2004 em Goiânia. Essa durou lá mais de uma década ( 11 anos ) e deixou um alegado muito bom de saudades. A deusa da sofrência foi de fato INFELIZ ao debochar de um desses romances de balada, uma FICADA, vivenciado por um amigo, provavelmente com uma transexual. Em tom de ironia, Marília lembrou que o amigo dizia que era talvez a mulher mais bonita que ele havia ficado. Fato, RISADAS coletiva. De deboche? De preconceito? Creio eu que foi falta de empatia com o amigo e, muito mais, com as milhares de transexuais que consomem o seu trabalho. O que Marília fez foi cruel. Tão cruel quanto o que as mulheres transexuais passam diariamente ao andar na rua, ao ser desconsideradas da vaga de emprego, ao serem insultadas por ser quem são. As risadinhas irônica de Marília e de sua banda ecoam dolorosamente pelo meu coração. Sim, porquê durante anos saíamos às ruas pedindo por igualdade, por respeito, por decência, por humanidade. E, hoje, em 2020, a TRANSFOBIA ainda é motivo para piada. Quero registrar que não dá mais para ficarmos calados. Não dá para permitir desrespeito. A piada não só agride o coração, mas gera a morte de dezenas. Não nos calemos. Transfobia mata! Fico grato por mencionar essa balada que quase me custou a vida! Poucos sabem do que passei no início de tudo qdo até fui preso por preconceitos ridículos de moradores do setor onde instalei a casa, meu carro foi amassado por duas vezes por o tal preconceito e ou intolerância, mas fiquei triste com a real situação no qual acredito DONA MARÍLIA MENDONÇA que não esteja nada confortável a vc e ou equipe estarem sendo criticados nacionalmente por essa brincadeira de mal gosto. The Life 🥀 @mariliamendoncacantora

Uma publicação compartilhada por Osvald Ribeiro (@osvaldribeirooficial) em

Confira o vídeo onde a sertaneja conta a história:

Em conversa com o Mais Goiás, A influencer e modelo Bruna Andrade, mulher trans goiana, afirmou ser  da cantora, mas que está chateada com a história. “Eu assisto todas as lives dela. Aí quando ela começou a falar da Disel, que foi um local que eu frequentei, fiquei animada“, conta a influencer.

“Eu fiz um vídeo como um desabafo e para demonstrar que pessoas trans podem receber afeto, que não é motivo de vergonha. Meu intuito foi mostrar o quão dolorido e perigoso é esse tipo de comentário. Essa piada para ela [Marília Mendonça] é engraçada, mas faz gente morrer“, alerta Bruna Andrade.

“Esse caso mostra explicitamente como a transfobia age. Nem sempre o preconceito contra trans é violento, aparente. Às vezes é sutil. Muita gente não achou nada demais no vídeo. Pode achar até que estou exagerando na proporção do que aconteceu”, desabafou.

Posicionamento de Marília Mendonça

Após a repercussão do caso, a sertaneja se manifestou no Twitter na manhã desta segunda-feira, dizendo que aceita estar errada e que precisa melhorar. O Mais Goiás entrou em contato com a assessoria da cantora, que afirmou que ela “não vai mais falar sobre o caso”.

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A Boate Disel ficava no Setor Oeste (Foto: Reprodução)

 

Marília Mendonça é acusada de transfobia ao falar de boate goiana; vídeo

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