Anticorrupção

Dilma ressalta que o Brasil precisa afastar estigma de levar vantagem em tudo

Pacote anticorrupção permitirá ao Estado ampliar a prevenção e o combate à corrupção, disse a presidente




A presidente Dilma Rousseff disse na tarde desta quarta-feira que o pacote anticorrupção enviado pelo governo ao Congresso Nacional permitirá ao Estado ampliar sua capacidade de prevenir e coibir a corrupção, principalmente no que se refere ao combate à impunidade. Durante cerimônia de anúncio oficial das medidas anticorrupção, enviado na terça-feira ao Parlamento, a presidente ressaltou que o Brasil precisa afastar o estigma de que o brasileiro leva vantagem em tudo.

“Tenho certeza de que todos os brasileiros de bem, de boa fé, mesmo os que não votaram em mim, sabem que a corrupção não foi inventada recentemente. Mas não somos mais o país que fazia e alardeava ser um povo que gosta de levar vantagem em tudo. Temos que nos afastar dessa visão. Temos, sim, de criar uma nova visão de moralidade pública e, porque não dizer, igualitária no sentido dos direitos civis. Esse é um trabalho de mais de uma geração, que temos o orgulho de estamos começado”, discursou.

Para Dilma, as medidas são “concretas”, mas não encerram o debate acerca das ações para acabar com a corrupção no país. “Não pretendemos esgotar a matéria, mas evidenciar que estamos no caminho correto. Somos um governo que não transige com a corrupção e temos obrigação de enfrentar a impunidade. [As medidas] fortalecem a luta contra a impunidade que é, talvez, o maior fator que garante a reprodução da corrupção”, discursou Dilma.

“Temos de ter clareza que, além desse conjunto de novas leis para resolver esse problema, é preciso uma nova consciência, uma cultura fundamentada em valores éticos profundos e moralidade republicada que deve nascer dentro de cada lar, escola e cada cidadão desse país e da alma e do coração de cada cidadão”, discursou Dilma.

Na avaliação da presidente, o pacote anticorrupção também ajudará o país a estruturar o combate a esse tipo de crime. “A postura republicana exige de todos nós uma atuação isenta, imparcial e autônoma. Posso dizer que essa tem sido a ação do meu governo. O conjunto de medias que submeto à apreciação do Congresso se junta a várias leis e medidas que adotamos ao longo dos anos, que contribuíram para o fortalecimento dessa questão no Brasil, são coerentes com as medias tomadas desde 2003, de prevenção, controle e punição”, discursou Dilma.

Três dias após protestos em vários estados do país com críticas a atuação do governo, Dilma afirmou que o combate à corrupção e à impunidade é “coerente” com as práticas adotadas por ela ao longo da vida e como presidente da República.

“O que está acontecendo neste momento no país corresponde ao que sempre pensei e como agi: sei, tenho convicção, que é preciso investigar e punir corruptos e corruptores de forma rápida e efetiva para garantir a proteção, inclusive, do inocente, garantindo sempre, sem exceção, o direito ao contraditório e ampla defesa”, disse Dilma.