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Diante de aumento de queimadas na Amazônia, Mourão avalia volta de militares à região

Vice-presidente disse que desmatamento está sendo registrado em terras devolutas e afirmou não ver ministro do Meio Ambiente há muito tempo

Imagem aérea de uma área desmatada (Foto: Divulgação/Semad)
Imagem aérea de uma área desmatada (Foto: Divulgação/Semad)

Diante do aumento do número de focos de queimadas na Amazônia, o vice-presidente Hamilton Mourão, que chefia o Conselho da Amazônia, disse nesta segunda-feira (7) que avalia uma nova operação militar na região, mas, desta vez, mais enxuta.

De acordo com o monitoramento de focos ativos do Programa Queimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a Amazônia teve 1.166 focos de queimada somente em maio, recorde para o mês desde 2008, já que em 2007 foram registrados 1.176 focos. De janeiro até agora, já são 4.325.

“Não está bom”, disse Mourão a jornalistas. O vice-presidente informou que pediu ao ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, um orçamento de uma operação de custo mais baixo que as anteriores, Verde Brasil 1 e Verde Brasil 2.

A ideia agora seria fazer uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem) mais enxuta, focada “só nas áreas onde está havendo maiores problemas”, disse Mourão, que aguarda uma resposta de Braga Netto ainda nesta segunda-feira.

Em fevereiro, Mourão anunciou a retirada das tropas a partir de 1º de maio, depois de um ano de atuação de militares na região.

A GLO na Amazônia começou em maio do ano passado e foi prorrogada três vezes. O fim dela, por decreto, já estava previsto para 30 de abril. É a GLO que permite a atuação das Forças Armadas na região.

Segundo disse Mourão em fevereiro, de 15 de maio de 2020 a 30 de janeiro deste ano, a Operação Verde Brasil 2 havia custado cerca de R$ 400 milhões.

Com a saída dos militares no mês passado, a ideia era que a fiscalização fosse feita com os efetivos próprios de Ibama, ICMBio, Funai, Incra, além das polícias Federal e Rodoviária Federal. Os efetivos das agências ambientais, no entanto, estão defasados.​​

Para o retorno das Forças Armadas, é necessária a autorização do presidente Jair Bolsonaro, com quem Mourão, apesar dos atritos dos últimos meses, pretende conversar após sinalização positiva de Braga Netto.

Mourão disse que há duas alternativas para o regresso dos militares: abrir uma ação orçamentária para apoio às agências ou a autorização de uma nova GLO focada nas localidades mais problemáticas.

“O desmatamento está ocorrendo nas terras devolutas, aquelas terras que são da União e que não estão distribuídas. Aí tem aquela turma que avança em cima achando que em algum momento ele vai poder se aproveitar dessa invasão que ele fez para, depois, ter direito a esta terra. E, na maioria das vezes, é para vender, né? É ilegalidade pura isso daí, a gente tem que combater”, afirmou Mourão.

Questionado se também estava discutindo o assunto com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, Mourão respondeu em tom de ironia.

“O ministro Salles tem muito tempo que eu não vejo”, afirmou.

No mês passado, Mourão já havia criticado a ausência do ministro em reunião do Conselho da Amazônia Legal. Para o vice, o gesto do auxiliar do presidente Jair Bolsonaro foi “falta de educação”.

O vice já entrou em choques anteriormente com Salles, que é alvo de uma operação da Polícia Federalque investiga um suposto esquema de exportação de madeira ilegal.