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Dezoito mulheres denunciam pai de santo por abuso sexual em Goiânia

Entre as vítimas estão duas menores de idade. Homem dizia às mulheres que "as libertaria de algum mal" enquanto fingia estar incorporado


Fabricio Moretti
Do Mais Goiás | Em: 26/06/2019 às 16:46:45

O caso é investigado pela Deam (Foto: Reprodução)
O caso é investigado pela Deam (Foto: Reprodução)

Na última terça-feira (25), dezoito mulheres, incluindo duas menores de idade, estiveram na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) para denunciar abusos sexuais cometidos pelo pai de santo Oli Santos da Costa, 62 anos, em um terreiro localizado no Setor Balneário Meia Ponte.

Cássia Sertão, delegada responsável pelo caso, informou ao Mais Goiás que todas as vítimas narram a mesma situação. “Ele dizia que as libertaria de algum mal ou as curariam. Fomos no local, mas não tinha ninguém. Fiz uma intimação para Oli comparecer à delegacia até na próxima sexta-feira (28) e ouvirei outras vítimas” afirmou.

Segundo a delegada, se condenado, o homem pode ser enquadrado no crime de violência sexual mediante fraude.

Vítima

Ao Jornal Opção, uma estudante, que preferiu não ser identificada, relatou que desde que entrou no terreiro teria sofrido abusos atribuídos a um tratamento espiritual. A desconfiança começou quando o pai de santo saiu do personagem, segundo ela.

“A ‘entidade’ mandava que as mulheres tirassem a roupa. Ele fingia estar incorporado, mudava a voz, bebia e alterava a personalidade para dar mais credibilidade. É um abuso mediante fraude, estelionato sexual. Com menores, inclusive”, denuncia a jovem.

Ela relatou que, ao conversar com outras membros do terreiro, foi descoberto que esses abusos ocorriam há quatro anos. Ao denunciar Oli, a polícia teria informado as vítimas que já haviam dois Boletins de Ocorrência contra ele, mas ambos foram arquivados.

“Ele dizia que se a gente contasse, morria. Temíamos a entidade mas, posteriormente, todas resolveram prestar depoimentos” disse a vítima dos abusos.

Os encontros da religião ocorrem às segundas e sábados, e os abusos aconteciam em um quarto reservado. Porém, na última segunda-feira (24) as vítimas confrontaram o religioso. “Ele assumiu que tinha que haver sexo, mas sempre feito pela entidade”.