Do Mais Goiás

Deputado de Goiás pede e comissão da Câmara aprova convocação de ministro da Educação

Milton Ribeiro deve explicar mudanças que tirariam a autonomia de Institutos Federais

Deputado de Goiás pede e comissão da Câmara aprova convocação de ministro da Educação
Ministro da Educação, Milton Ribeiro (Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara aprovou convocação do ministro da Educação Milton Ribeiro para explicar sobre mudanças em Institutos Federais (IFs), inclusive com nova política de indicação de reitores que o governo pretende implantar. As modificações retirariam a autonomia dos IFs, segundo o requerimento.

“Essa mudança atende apenas a interesses políticos”, diz o deputado federal de Goiás Elias Vaz (PSB), autor do requerimento, ao Mais Goiás. Na demanda, ele justifica, ainda, que o ministro anunciou em reunião com atuais reitores que pretende dividir IFs, dando a entender que serão criadas dez novas reitorias. “Mas, na prática, não seriam criados campi, nem ampliado o número de vagas e cursos.”

E ainda: “O governo quer dividir institutos federais sem oferecer nenhuma estrutura para isso e ainda interferir na escolha de reitores. Estamos trabalhando em defesa da Educação e da autonomia dos IFs.

Vale destacar, o presidente da comissão, Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) e outros parlamentares aprovaram a convocação, o que fez a presença do ministro se tornar obrigatória. A audiência pública ainda será marcada.

Reitores seriam indicados pelo governo federal: ministro da Educação deve explicar

Elias diz que os novos reitores seriam indicados pelo governo federal e não eleitos num processo democrático. “Essa medida representa o desmonte da autonomia dos institutos federais. O presidente Bolsonaro já vem ameaçando essa autonomia desde que assumiu, nomeando reitores que não foram os mais votados em eleições internas das instituições e rompendo uma tradição em vigor desde a década de 1990.”

Por meio de levantamento de reitores e sindicatos, o deputado federal afirma que o custo da criação de cada nova reitoria chegaria a R$ 8 milhões ao ano. Ainda segundo ele, isso é uma contradição, pois os IFs têm sofrido com cortes no orçamento que passam de 20%. O montante resulta em falta de recursos para implementação de laboratórios, refeitórios e até mesmo bolsas para os estudantes, diz Vaz.

“O orçamento hoje é proporcionalmente o mesmo de 2013, quando os Institutos não atendiam nem a metade dos alunos matriculados atualmente. E aí o MEC decide gerar mais gastos apenas com objetivos eleitoreiros, sem nenhuma preocupação com a realidade dos IFs.”