Vida conturbada

Dependente químico, menino de 11 anos é encontrado morto em lote baldio de Águas Lindas de Goiás

De acordo com o Conselho Tutelar da cidade, o menor colecionava ameaçavas de morte feitas por traficantes e tinha extensa ficha criminal


Rafael Oliveira
Do Mais Goiás | Em: 06/11/2019 às 09:16:08

Polícia suspeita que vítimas de furto tenham matado menino em Águas Lindas(Foto: PM-GO)
Polícia suspeita que vítimas de furto tenham matado menino em Águas Lindas(Foto: PM-GO)

Um menino de 11 anos de idade encontrado morto, na terça-feira (5), num lote baldio de Águas Lindas de Goiás, com sinais de espancamento, colecionava ameaças de mortes feitas por traficantes da região e extensa ficha criminal na Polícia Civil. Dependente químico, o jovem não morava com a mãe, segundo o Conselho Tutelar da cidade, por ter promessa de morte de um suposto traficante. O conselho pediu a internação compulsória da criança na Justiça, mas não obteve julgamento a tempo.

Em outubro, o menino alongou sua ficha criminal com mais um furto, chegando ao total de seis crimes registrados. Acompanhado de jovens mais velhos, furtou um veículo na cidade. Cheio de traumas, ao Conselho Tutelar, confessou ter sido vítima abuso sexual quando era mais novo e também revelou que o irmão mais velho foi morto, aos 18 anos, durante um assalto.

Segundo entrevista do conselheiro de Taguatinga Norte (DF) Cleiton Vital de Oliveira ao jornal O Popular, o rapaz vivia em um círculo vicioso: praticava furtos, era preso e encaminhado a alguma casa de abrigo e saía para praticar novos crimes. Ele foi recebido em, pelo menos, duas instituições: Abrigo Casa de Moisés, em Águas Lindas (GO), e a Unidade de Acolhimento para Crianças e Adolescentes (Unac), em Taguatinga (DF).

Segundo o conselheiro, a criança havia se tornado agressiva pelo excesso no uso de drogas e rejeitava medidas de proteção do governo. A promotora do Núcleo de Defensoria Especializadas em Infância e Juventude da Defensoria Pública de Goiás, Bruna Xavier, indica a possibilidade de se conseguir a internação compulsória de uma criança na Justiça, mas apenas com recomendação médica.