Ruptura

Demóstenes Torres anuncia aposentadoria do MP e da política partidária

Acusado de favorecer o bicheiro Carlos Cachoeira quando era senador em 2012, o promotor viveu uma fase de declínio na política da qual tentou recuperar-se, sem sucesso, nas eleições de 2018. Agora ele volta sua atenção a projetos sociais


Hugo Oliveira
Do Mais Goiás | Em: 12/02/2019 às 13:12:35

Demóstenes não quis declarar apoio político a ninguém, assim como não comentou declínio de Marconi Perillo (PSDB) (Foto; divulgação/Mais Goiás)
Demóstenes não quis declarar apoio político a ninguém, assim como não comentou declínio de Marconi Perillo (PSDB) (Foto; divulgação/Mais Goiás)

O ex-senador e – até daqui a pouco – promotor de Justiça Demóstenes Torres vai se aposentar. Com 58 anos de idade e 32 de Ministério Público (MP), ele afirma querer também sossego da política para poder pensar na vida e dedicar-se a obras e projetos de caridade.  “Acabo de assinar meu último despacho, em um processo sobre tráfico de drogas. Já entrei com meu pedido de aposentadoria e hoje deixo de fazer parte do quadro de promotores do MP”.

Torres afirma pensar no assunto desde 2014, quando já poderia solicitar aposentadoria proporcional. Por outro lado, prolongou a vida pública até as eleições de 2018, quando se candidatou mais uma vez, à Câmara Federal. “Um dia após as eleições, me desfiliei do PTB. Não me desvinculo apenas do MP, já que, nas urnas, o povo também me aposentou. Então irei me dedicar a outras coisas”.

Com “outras coisas” Demóstenes se refere a leitura dos mais de 5 mil títulos de sua biblioteca e também a projetos solidários. “Agora vou ter muito tempo para ler, já que não paro de comprar livros. Mas uma coisa certa é serviço comunitário. Quero ver se consigo reunir pessoas de vida pública para ver se a gente monta um projeto bom, quem sabe, na área educacional”. A intenção é fazer com que “pessoas carentes tenham acesso a escolas de excelente nível. Mas, ainda avalio, pode ser em outra área também”.

“Política no sangue”

O rompimento de Demóstenes com a política, entretanto, é institucional. Tanto é que se nega a declarar apoios em âmbito estadual ou federal, assim como evita comentar a situação de ex-aliados políticos, como o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), indiciado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro, corrupção e associação criminosa. O tucano ainda é alvo de uma Ação Civil Pública (ACP) do MP por improbidade administrativa.

Apesar das dificuldades enfrentadas por Perillo serem semelhantes à seara vivida por Demóstenes, que teve seu mandato de senador caçado, em 2012, quando foi acusado de usá-lo para favorecer o bicheiro Carlos Cachoeira, o futuro aposentado afirmou apenas que “Isso faz parte do meu passado e é coisa que não me interessa mais”. Com processo contra Demóstenes arquivado, a Justiça determinou a destruição de provas contra o ex-senador.

(Foto: Agência Senado)

Apesar e para além de qualquer ranço com a vida pública, Demóstenes revela que continuará atuando do lado de fora das instituições. “Não tem como tirar a política do sangue, então vou fazer isso fora da realidade partidária, com políticas públicas e as mencionadas ações comunitárias”.

Questionado sobre o governo de Ronaldo Caiado, na metade de seu segundo mês de exercício, Torres sublinhou. “Como disse, não tenho intenção de mexer com política. Só desejo a ele boa sorte”.