Resenha

Crítica: Demi Lovato busca redenção musical com ‘Tell Me You Love Me’

Após dois álbuns de qualidade mista, a cantora pop traz um disco redondo, com músicas de qualidade e vocais maduros


Murillo Soares
Do Mais Goiás | Em: 30/09/2017 às 20:50:10

Demi Lovato, 'Tell Me You Love Me' (Foto: Divulgação)
Demi Lovato, 'Tell Me You Love Me' (Foto: Divulgação)

Por algum tempo, Demi Lovato foi uma popstar perdida na cena fonográfica. A cantora começou com uma linha Avril Lavigne de poprock teen, passou pelo Urban e R&B, tentou EDM e Soul. Mas ela se encontrou. Após dois discos duvidosos com algumas músicas boas, em Tell Me You Love Me, ela nos dá um disco bom com algumas músicas duvidosas.

O novo disco de Lovato é uma redenção musical. Demi (2013) e Confident (2015) foram álbuns para agradar os fãs e alguns singles mais genéricos para bom sucesso radiofônico. Com Tell Me You Love Me, a história é diferente: qualquer um consegue perceber sua boa qualidade musical.

Agradável aos ouvidos

Desde o último trabalho, inspirando-se em Christina Aguilera e Aretha Franklin, Lovato tem se distanciando um mais e mais do pop comercial e pegando referências no Soul e no R&B. A mistura de metais, sintetizadores e guitarra é o ponto certo para deixar Demi confortável ao cantar.

Na faixa que dá nome ao disco, por exemplo, Lovato consegue fazer com que seus agudos sejam bem dosados e os deixa menos enjoativos. Ao contrário de músicas como Lionheart, Two Pieces e Something That You’re Not, dos álbuns anteriores.

O mesmo acontece em Sexy Dirty Love (que será tema de pistas de dança), Cry Baby, Lonely (que seria uma das melhores faixas do disco, se não fosse a participação desajustada de Lil Wayne) e Only Forever.

Provocante e agressiva

Liricamente, Demi Lovato vem um pouco mais afiada que no disco anterior. Todas as faixas parecem ter indiretas aqui e ali: para ex-namorado, amigas, inimigas, familiares, crushes… Nas músicas deste álbum, ela se firma na imagem de mulher confiante e dona de si que construiu em Confident, e que vimos de perto no show do Festival Villa Mix.

Na primeira música do álbum, Sorry Not Sorry, ela já manda o recado: “estou aqui buscando por vingança, sentindo-me plena, no meu melhor momento”. Em You Don’t Do It For Me Anymore, ela pede para que a culpa de um término não caia sobre ela: “eu vejo futuro sem você, então o que eu estava fazendo no seu passado?”.

E, em Lonely, ela se livra das garras do amor gostoso: “tudo que você faz é me deixar sozinha, “oelhos sobre o concreto, com machucados e sangrando”.

Aliadas às músicas mais ácidas, Demi Lovato colocou na tracklist uma leva de faixas mais provocantes e sensuais. Sexy Dirty Love, Let’s Ruin The Friendship e Games, por exemplo.

A única canção totalmente descartável desta lista é Daddy Issues, na qual a cantora se rebaixa a um homem que a deixa de lado sempre que pode. Ela coloca a culpa disso em “problemas com seu pai”. Freud explica?

Uma muralha

Com tanta energia e confiança, não há muito espaço para músicas que mostrem um lado mais vulnerável da cantora. Apenas duas faixas dão voz às inseguranças amorosas de Demi Lovato: Tell Me You Love MeCry Baby.

Ironicamente, as duas podem facilmente ser eleitas as melhores do disco. Com produções impecáveis, vocais bem dosados, gostosos de ouvir e muita emoção, as duas faixas são dignas de Grammy (tão almejado por Lovato). 

Faixas vulneráveis são as que melhor expressam a emoção da maioria dos vocalistas. É assim com Adele, Avril Lavigne, Brandon Flowers, Kesha e até mesmo a nossa sofrida Marília Mendonça. Com Demi não é diferente, é só ouvir hits de discos anteriores como Believe in MeSkyscrapperCatch MeDon’t ForgetStone Cold.

O veredito

Nos discos anteriores, em Confident principalmente, Demi Lovato ficou preocupada demais em se mostrar poderosa e destruidora. É uma imagem que lhe casa bem e que ela abraça com muita propriedade (mais uma vez, vide show no Villa Mix). Porém, ela se esquece de que uma cantora não vive de apenas de imagem.

A música também deve estar bem calibrada. Em Tell Me You Love Me, Demi conseguiu chegar a um som que a faça poderosa e sexy, mas, principalmente, uma vocalista que possa agradar aos ouvidos de todos – não apenas seus fãs.

É um álbum que facilmente pode ganhar o almejado Grammy Awards. Se não, Demi Lovato pode se orgulhar de ter feito um dos melhores discos de 2017.

Ouça Tell Me You Love Me, de Demi Lovato: