Cidades

Delegada busca esclarecer contradições em depoimento da mãe de criança baleada

Mulher apresentou diferentes versões para o disparo que atingiu o menor. O principal suspeito, que é o ex-padastro da criança, continua foragido


Joao Paulo Alexandre

Do Mais Goiás | Em: 25/03/2019 às 18:25:31


Criança foi baleada na tarde deste domingo (25) (Foto: João Paulo Alexandre/Mais Goiás)
Criança foi baleada na tarde deste domingo (25) (Foto: João Paulo Alexandre/Mais Goiás)

A Polícia Civil (PC) procura esclarecer diversas contradições no depoimento de Carita Cristina Alves, de 23 anos. Ela é mãe da criança de 2 anos e oito meses que foi atingida por um disparo no tórax, na tarde deste domingo (23), na Vila Delfiori, em Aparecida de Goiânia. A mulher está detida no 4º Distrito Policial por receptação, já que objetos roubados foram encontrados na residência.

Segundo a delegada Edilaine Moreira dos Santos, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), a mãe contou diversas versões para justificar o que aconteceu. Inicialmente, ela disse que estava em um estabelecimento quando um motoqueiro passou atirando. “Posteriormente, ela alegou que a criança de cinco anos [o outro filho dela] teria efetuado o disparo durante uma brincadeira. Mas disse que não viu o momento em que isso aconteceu”, destaca.

Em depoimento, a mãe também contou que teria deixado as crianças sozinhas em casa para ir a um forró. Se isso ficar comprovado, além de responder por receptação, a mulher pode responder por abandono de incapaz. O principal suspeito é o ex-marido de Carita, Mateus Nunes Sousa da Silva, que tem histórico de violência e está foragido.

O menino foi socorrido e encaminhado para o Hospital de Urgências Governador Otávio Lage Siqueira (Hugol). Em nota, a unidade informou que o estado de saúde é estável e que ele respira espontaneamente. Segundo a delegada, a criança está sob cuidados da família paterna.

Situação familiar

A mulher tem mais dois filhos, de 5 e 9 anos. A criança de 5 anos contou ao pai que sabia que tinha uma arma dentro de casa, escondida em uma gaveta, mas que não manuseou o objeto. E ainda que estava dormindo e acordou após ouvir o disparo. A arma ainda não foi encontrada.

A delegada conta que foi até a casa da família, que é muito suja e parecia mais um “mocó”. “É muito triste aquele lugar. Não tinha condições de se ter criança ali. Não tinha muitos móveis ou brinquedos. Tinha muita sujeira pelo quintal”, afirma.

O ex-marido da mãe, Mateus Nunes Sousa da Silva, 22 anos, está foragido, tem passagens pela Lei Maria da Penha por lesão corporal, injúria e ameaça contra uma prima dele. Em depoimento, testemunhas relataram que Matheus teria agredido a criança de 5 anos, mas nenhuma denúncia foi formalizada. Carita afirmou à delegada que o relacionamento durou apenas dois meses.