Autoritarismo e Direitos Humanos

Debate na ONU tem bate-boca entre Jean Wyllys e chefe da delegação brasileira

Vídeo realizado na sala em que ocorreu o evento mostra a embaixadora, que está na plateia, se levantando para deixar o recinto depois de ter feito uma pergunta a Wyllys


FolhaPress
FolhaPress
Do FolhaPress | Em: 15/03/2019 às 16:19:46

(Foto: Clever Felix/Brazil Photo Press/Folhapress)
(Foto: Clever Felix/Brazil Photo Press/Folhapress)

Um debate sobre autoritarismo e direitos humanos na sede europeia da ONU terminou nesta sexta (15) em bate-boca entre a chefe da delegação brasileira junto às Nações Unidas, Maria Nazareth Farani Azevêdo, e o ex-deputado federal Jean Wyllys, que participava da mesa. Um vídeo realizado na sala em que ocorreu o evento mostra a embaixadora, que está na plateia, se levantando para deixar o recinto depois de ter feito uma pergunta a Wyllys, que renunciou ao terceiro mandato e saiu do Brasil após receber ameaças de morte.

O mediador então pergunta: “A senhora não quer ouvir a resposta dele?”. Farani diz: “Desde que eu possa fazer uma tréplica”. E ouve: “Desculpe, não é assim que as coisas funcionam”. A diplomata se levanta e deixa seu assento.  “Por favor, embaixadora, ouça a minha resposta”, pede Wyllys. “Se a senhora gosta de debate, deveria ouvir a minha resposta.” E continua: “O fato de a senhora ter saído do seu lugar e vir com um discurso pronto para essa sala é um sintoma mesmo de que a minha presença aqui amedronta a senhora e o seu governo, que não tem compromisso com a democracia, sobretudo em um momento em que a imprensa revela relações entre organizações criminosas, os assassinos de Marielle Franco e a família do presidente da República, que ocupa o Palácio do Planalto”.

Nesse momento, de pé, Farani diz: “A sua presença aqui envergonha o Brasil”. Wyllys prossegue: “Agora é a minha vez de falar, embaixadora. Por favor, respeite a democracia”. E repete: “Por favor, respeite a democracia, embaixadora”. Farani reage, mas não é possível ouvir com clareza no vídeo o que ela diz. Por fim, a embaixadora começa a caminhar em direção à saída.

“É importante que cada pessoa sempre cuspa na cara de quem faz elogio à tortura”, afirma nesse momento Wyllys. “A tortura é um crime de lesa-humanidade. Nós não deveríamos tolerá-la em hipótese alguma, sobretudo envolvendo os que se autoproclamam democráticos. Muito obrigado.”  A plateia aplaude o fim da intervenção do ex-deputado.

A reportagem tentou entrar em contato com a embaixadora e com o ex-deputado, mas não obteve retorno até as 14h desta sexta (15).