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Dados de 533 milhões de usuários do Facebook estão expostos na internet

Ao todo, 8 milhões de brasileiros foram impactados pelo vazamento; rede social confirmou o caso

Dados de 533 milhões de usuários do Facebook estão expostos na internet
Facebook anuncia apoio a Butantan e Fiocruz pela vacinação contra covid-19 (Foto: Reprodução Redes Sociais)

Informações pessoais de cerca de 533 milhões de usuários do Facebook podem estar expostas em um fórum na internet, com dados como nome, telefone celular, ocupação, cidade e estado civil circulando na rede. Em resposta ao Estadão, o Facebook confirmou o caso, que representa um enorme impacto na rede social, que tem mais de 2,74 bilhões de usuários cadastrados no mundo.

Ao todo, 107 países dos cinco continentes podem estar atingidos, como Estados Unidos, Reino Unido, Argentina, Uruguai, França, Alemanha. O Brasil também pode estar exposto, com informações de 8,1 milhões de usuários atingidos de um total de 145 milhões de usuários ativos no País. Segundo o Estadão apurou, as informações coletadas vão até 2019.

O vazamento foi postado primeiramente em junho de 2020 em um fórum da internet aberta, onde os dados podem ser indexados a buscadores como Google e Bing, ao contrário do que ocorre na dark web, local em que hackers e outros criminosos trocam informações ilegais.

Em 12 de janeiro deste ano, no entanto, outro hacker tenta vender no mesmo fórum uma ferramenta que faz buscas automatizadas na base de dados, permitindo que pessoas encontrem facilmente números de telefone conectados a diversas contas no Facebook.

O caso veio à tona neste sábado, 3, após reportagem do site especializado Business Insider.

“Maus agentes vão certamente usar essas informações para engenharia social, golpes, hacking e marketing”, disse em rede social o cofundador da empresa de cibersegurança israelense Hudson Rock, Alon Gal, quem noticiou reportou o caso no mundo.

Ao Estadão, o Facebook diz que “estes dados são antigos e foram reportados em 2019, fruto de uma vulnerabilidade que encontramos e corrigimos em agosto daquele ano”.

Para Felipe Daragon, CEO da empresa de cibersegurança brasileira Syhunt, não há necessidade de os usuários brasileiros entrarem em pânico com o incidente porque senhas não foram divulgadas na base, então as contas, a princípio, não podem ser hackeadas tão facilmente.

“O motivo para ter pânico já aconteceu, que é a exposição dos dados do megavazamento de janeiro, uma base monstruosa”, diz Daragon. No entanto, com essa série de vazamentos que vêm ocorrendo nos últimos meses, as pessoas podem estar mais sujeitas a golpes.

“Os hackers têm à disposição agora dados de uma série de vazamentos que foram ocorrendo, consolidados em bancos maiores através de cruzamentos”, explica o especialista. “A cada novo incidente, surge mais uma peça do quebra-cabeça sobre a vida das pessoas, os nossos detalhes pessoais.”