Do Mais Goiás

Credenciados do Imas vão paralisar atendimentos por atraso em repasses

Sindicato alega também que houve redução unilateral nos valores das tabelas de procedimentos

Os hospitais, laboratórios, clínicas e outros estabelecimentos de saúde credenciados ao Instituto de Assistência a Saúde e Social dos Servidores Municipais de Goiânia (Imas) vão paralisar os atendimentos aos usuários por cinco dias consecutivos a partir desta segunda-feira (26). A paralisação de advertência foi decidida nesta sexta-feira (23), em assembléia realizada pelo Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado de Goiás (Sindhoesg).

O sindicato alega que os atrasos nos repasses de valores relativos aos atendimentos de saúde tem sido constantes e que há seis débitos ainda em aberto. Os credenciados cobram que os pagamentos sejam todos liberados na mesma data, uma vez que os depósitos estão sendo feito de modo seletivo e apenas algumas instituições receberam os valores, uma delas alega que a dívida do Imas chega a R$ 1,2 milhão.

O Sindhoesg ressalta também que houve corte de 10% dos valores das faturas de outubro de 2016 e janeiro de 2017 e de 20% das faturas de novembro de 2016 e fevereiro de 2017 e que isso prejudicou os atendimentos aos usuários do Imas. Segundo o sindicato, nesta segunda-feira (19), os pagamentos começaram a ser efetuados, mas ainda há atrasos e o valor não teria suprido todo o débito.

Francisco Tavares*, administrador hospitalar de uma das instituições credenciadas ao Imas, afirmou que há um histórico de atrasos por parte do instituto. “No nosso hospital o último repasse foi feito em outubro. Os usuários chegam até nós e afirmam que o pagamento foi descontado na folha de trabalho, mesmo assim não fazem o repasse”, conta.

Para Francisco, todas as áreas são afetadas, mas há situações mais críticas como as áreas de pediatria e oncologia que também não receberam valores relativos a serviços prestados. O administrador esclarece que os atrasos afetam diretamente os beneficiários, pois muitas instituições de saúde já pararam de atender o Imas e, por isso, restam poucas opções para quem precisa de atendimento médico.

Presidente do Sindhoesg, o médico José Silvério Peixoto Guimarães, observou que os prestadores se viram obrigados a suspender o atendimento diante dos atrasos que já comprometem o funcionamento das empresas. “Sabemos que os usuários já tiveram a contribuição descontada de seus contracheques e não tínhamos a intenção de paralisar o atendimento, mas não temos opção”, afirmou.

Na assembleia, ficou estabelecido que apenas atendimentos de urgência e emergência devem ser realizados. Além disso, os funcionários credenciados devem se reunir novamente no dia 2 de março para avaliar a situação e verificar a continuidade da prestação dos serviços ao Imas.

Veja os atrasos apontados pelo Sindhoesg:

Julho/agosto e setembro de 2016 – não pagos
 Junho a novembro de 2017 – 80% dos prestadores ainda não receberam
 Outubro de 2016 – faturas pagas com um corte de 10% do valor
 Novembro de 2016 – faturas pagas com um corte de 20% do valor
 Janeiro de 2017 – faturas pagas com um corte de 10% do valor

Fevereiro de 2017 – faturas pagas com um corte de 20% do valor

Prazo

Por meio de nota, a diretoria do Imas informou que  o prazo contratual para pagamento dos prestadores é de 90 dias e que esse período tem sido respeitado. Confira na íntegra a resposta do instituto sobre a questão:

A diretoria do IMAS informa que o prazo contratual para pagamento dos prestadores é de 90 dias, o que tem sido observado. Eventuais atrasos, no entanto, estão associados à burocracia inerente aos processos de pagamentos, que exige a apresentação de vasta documentação por parte do credenciado e cuja falta dela em qualquer fase do processo de pagamento exige, por disposição legal, que se abra diligências para completá-la, o que acaba atrasando os pagamentos.  O IMAS realiza, mensalmente, cerca de 1.300 pagamentos aos seus credenciados.

Outra particularidade nos pagamentos efetuados pelo instituto diz respeito aos processos indenizatórios, assim caracterizados aqueles cuja dotação contratual tenha excedido o valor estabelecido ou decorrentes da prestação de serviços sem a cobertura contratual. Nesses casos, a burocracia é ainda maior, exigindo uma auditoria dos serviços prestados e a concomitante abertura de processo para pagamento. Desde o início da gestão, o IMAS reduziu em cerca de 80% os pagamentos por essa modalidade e deve, até março, zerar todos os pagamentos pendentes. 

Como um dos maiores planos de saúde do País, o terceiro do Estado de Goiás, com quase 84 mil associados, é natural que ocorra o credenciamento e descredenciamento de prestadores, que entre pessoas jurídicas e pessoas físicas chegam a quase 2 mil prestadores.

Francisco Tavares* é um nome fictício. O funcionário pediu que seu nome verdadeiro não fosse revelado.