Trânsito

Crea-GO pede restrição de veículos pesados na Marginal Botafogo

Órgão defende que medida vigore até que problemas da via sejam solucionados




Em vista aos recentes problemas na Marginal Botafogo, em Goiânia, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO) se prontificou a apresentar propostas para tentar encontrar uma solução para o problema. Uma das medidas sugeridas pelo órgão é a restrição ao tráfego de veículos pesados naquela via.

Segundo o presidente da Autarquia, Francisco Almeida, a medida deve vigorar até que sejam efetivadas medidas que solucionem o problema de forma definitiva. “Existe um projeto feito pela prefeitura há cinco anos. Foi feito um diagnóstico, a execução foi iniciada mas depois foi paralisada. A prefeitura tem que resgatar esse projeto ou levantar outro”, afirma o presidente.

Segundo ele, a administração municipal deveria iniciar os estudos durante o período chuvoso para concretizar o que for elaborado. “Os projetos que já estão com a prefeitura precisam ser executados – se não começarmos logo, teremos mais problemas. Até que seja efetivamente elaborado e colocado em prática o plano diretor de drenagem urbana de Goiânia, a prefeitura deve resolver os problemas emergenciais – não podemos esperar” , disse.

Everton Schmaltz, engenheiro responsável pelo projeto de recuperação da Marginal que foi iniciado e interrompido pela prefeitura da cidade, afirmou que os problemas não são novidade, uma vez que o projeto da via é da década de 1970. “Esse projeto teve, ao longo do seu período de vida útil, que ainda persiste, várias intervenções, sendo a maior delas relacionada à drenagem”, explicou.

De acordo com o engenheiro, o projeto de recuperação elaborado em 2010 foi desenvolvido em cerca de cinco meses. “Através dele, fizemos um estudo das características do canal, da resistência do concreto e, principalmente, dos pontos mais críticos, que deveriam sofrer intervenção com mais urgência. Então fizemos uma projeção de médio prazo, para que toda a extensão da parte de concreto, que é a que sempre apresentou problemas, fosse recuperada.”

Segundo Schmaltz, ao longo de certo período esse trabalho foi realizado para retornar a estabilidade da estrutura em todos os pontos mais críticos. “Até onde foi realizado, houve a recuperação das fundações das placas inferiores, e, nos pontos onde havia problemas, eles foram corrigidos”. O engenheiro ressalta, entretanto, que é imperativo considerar que a água é pesada e, com um agente complicador, como velocidade ou volume, problemas persistirão se não houver uma estrutura previamente projetada para esse tipo de situação.

Para o engenheiro, a manutenção deve ser constante. “Os córregos são elementos que devem ser sistematicamente limpos e vistoriados, pra que a gente possa, cada vez mais, minimizar os problemas, porque, se não for tomada nenhuma medida, teremos outros. Após projetar e construir, deve-se acompanhar. O pós é tão importante quanto a obra em si, principalmente quando se trata de obras ligadas a sistemas hidráulicos”, frisa Everton, que ainda destaca que deve ser realizado um plano diretor de drenagem urbana para a capital goiana o mais rápido possível. “Nada é mais urgente em Goiânia do que a elaboração desse plano. Nós ainda corremos riscos de que haja novos problemas.”

Interdições

No final da tarde da última terça-feira (24/11), o trecho da Marginal Botafogo entre as pontes da Avenida Anhanguera e Avenida Universitária, sentido norte/sul apresentou afundamento do asfalto na lateral da pista, próximo ao córrego. O problema teria sido causado pela infiltração da água no canal no solo ao longo dos anos e foi resolvido no mesmo dia com reparos emergenciais.

Na sexta-feira (27/11), porém, os danos foram mais graves e três pontos foram interditados no sentido do Setor Leste Vila Nova ao Setor Pedro Ludovico. A pista ficou interditada por três dias para reparos.

Por meio de nota, a assessoria da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra), diz que são realizadas ações constantes para fazer a manutenção da Marginal Botafogo e que quando surge problemas pontuais na estrutura da via as equipes estão preparadas para solucioná-los rapidamente. “De qualquer forma a Seinfra vai avaliar todas as informações repassadas pelo Crea. A Seinfra informa ainda que vai promover as ações que sejam necessárias para manter a Marginal Botafogo em bom estado e segura para todos os usuários da via”, afirma o texto.

A pasta informou que três pontos foram danificados com as chuvas do final tarde de quinta-feira (26/11) e logo em seguida os engenheiros já estavam no local para avaliar os problemas. No trecho próximo à ponte da Avenida Independência, foi realizada a recompostagem da capa asfáltica, que estava danificada. No trecho na ponte da rua 301, foi executada a recomposição das placas de sustentação do solo e colocação de pedras graduadas e posteriormente foi refeita parte da via com a capa asfáltica. Nesse trecho, parte da pista havia cedido. As obras duraram três dias mas já estão concluídas.

Já no trecho entre as pontes da Avenida Anhanguera e Avenida Universitária foi recomposta a encosta com pedra graduada e capa asfáltica na via.