Enel investigada

CPI vai investigar serviços e investimentos feitos pela Enel

Serão analisados os serviços e investimentos da empresa italiana no estado


Bárbara Zaiden
Do Mais Goiás | Em: 16/02/2019 às 17:01:57

Parte da estrutura da Celg D, vendida em 2017 à Enel (Foto: divulgação/PPI)
Parte da estrutura da Celg D, vendida em 2017 à Enel (Foto: divulgação/PPI)

Uma Comissão Especial de Inquérito (CPI) será instaurada na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) para investigar se a Enel Distribuição Goiás tem cumprido o contrato firmado com o Governo Estadual. Serão analisados os serviços e investimentos da empresa italiana no estado.

A proposta de instauração da CPI é do deputado estadual Henrique Arantes (PTB). Segundo ele, contrato com a empresa prevê investimentos de R$ 1 bilhão por ano em melhorias para a qualidade do serviço prestado e hoje existem apenas indícios e pistas de que isso não tem sido cumprido. Ao Mais Goiás, o parlamentar argumenta que em 2018 encaminhou requerimentos para que a Enel apontasse os gastos e investimentos realizados mas não obteve retorno.

Ele diz que a última preocupação é em relação à reestatização ou não da Celg D. “Pra mim, e acho que pra grande parte dos goianos, não importa quem é o dono [da Celg]. Queremos só que a empresa faça distribuição de energia de qualidade. Eles ajustaram a tarifa de energia e não fizeram investimentos. Então não justifica”, enfatiza Henrique.

Na manhã deste sábado (16) o presidente da Alego, Lissauer Vieira (PSB), afirmou, em Rio Verde, que o Legislativo goiano não vai se omitir sobre o assunto. “Há um sentimento na Casa de que é necessário analisar com profundidade os termos da privatização da Celg, notadamente acerca dos compromissos que a Enel teria de cumprir para efetivar do contrato firmado com o Estado”, disse Lissauer.

Segundo Henrique Arantes, o documento que solicita a instauração da CPI já tem todas as assinaturas necessárias para ser apresentado. Os trabalhos devem ter início em cerca de duas semanas.

Histórico

A Enel concluiu a compra da Celg D no início do passado e prometeu realizar investimentos em Goiás na ordem de R$ 2 bilhões. A empresa já realizou ações que beneficiam os cidadãos, como a troca de geladeiras e de lâmpadas, além de descontos na compra de eletrodomésticos para clientes em situação de vulnerabilidade, visando a economia no consumo.

Em contrapartida, a empresa italiana foi considerada a pior distribuidora de energia do País, segundo o ranking de 2017 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Só na última semana, a Aneel decidiu restringir a distribuição de dividendos da Enel Goiás por descumprimento de indicadores de qualidade. E determinou que, em dez dias, a empresa apresente um plano emergencial de resgate de qualidade dos serviços prestados no Estado.

Além disso, apenas nos primeiros 21 dias de 2019, o Procon Goiás registrou 184 reclamações de consumidores contra a empresa. Dentre os atendimentos, 80 estão relacionados a cobranças indevidas no fornecimento de energia elétrica. Em janeiro deste ano, o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) entrou com ação civil pública  para garantir distribuição de energia à cidade de Minaçu, que enfrentou problemas durante três dias.