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Covid: Por que nova investigação da OMS pode ser ‘última chance’ de descobrir origem do coronavírus

Objetivo é esclarecer se o vírus foi propagado por animais em um mercado de Wuhan ou se houve um acidente de laboratório

Mundo já atingiu os 200 milhões de casos da Covid na semana passada, segundo a OMS
Covid: Por que nova investigação da OMS pode ser 'última chance' de descobrir origem do coronavírus (Foto: Pixabay)

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que uma nova força-tarefa criada pode ser a última chance para se encontrar as origens da Covid-19.

Foram designados 26 especialistas para o Grupo de Aconselhamento Científico sobre as Origens de Novos Patógenos (Sago, na sigla em inglês).

Passado mais de um ano e meio desde que o vírus foi detectado na cidade chinesa de Wuhan, permanecem muitas dúvidas sobre o seu surgimento.

A equipe montada pela OMS vai analisar se o vírus foi passado de animais para humanos em mercados da cidade de Wuhan ou se houve um acidente de laboratório que possibilitou sua propagação. A China nega a segunda hipótese de forma veemente.

Por que agora?

A urgência de se realizar uma investigação neste momento se deve à necessidade de realização de “mais de três dúzias” de testes, entre eles a de anticorpos nos residentes de Wuhan contaminados em 2019, segundo Maria van Kerkhove, uma das técnicas da OMS que lidera os esforços.

Segundo a OMS, é preciso fazer testes nos exames de sangue coletados em 2019 em Wuhan, realizar pesquisas retroativas em hospitais da região e investigar as primeiras mortalidades por coronavírus.

Os laboratórios da região também precisam ser investigados. A OMS afirma que precisa de evidências concretas para poder descartar completamente a hipótese de que o vírus saiu de um laboratório.

Em fevereiro, uma equipe da OMS que investigava a origem da Covid viajou até a China. A conclusão apontou para uma transmissão ocorrida diretamente de morcegos para humanos — mas o relatório afirmou que havia necessidade de mais análises.

O grupo considerou “extremamente improvável” a hipótese de que o vírus tenha saído de um laboratório.

No entanto, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse posteriormente que a investigação foi dificultada por falta de dados e de transparência por parte do governo chinês.

Seis dos especialistas que visitaram a China no começo do ano foram incluídos na nova força-tarefa.

Além do coronavírus, serão examinadas as origens de outros patógenos considerados de alto risco.

“Compreender de onde vêm novos patógenos é essencial para evitar novas pandemias”, afirmou o diretor da OMS.

Ghebreyesus e outros dois colegas da entidade assinam um texto publicado na quarta-feira (13) na revista científica Science em que dizem que “um acidente de laboratório não pode ser descartado”.

Michael Ryan, diretor de Emergências da OMS, declarou que o trabalho do novo grupo de investigação pode ser “a última chance para entender a origem do vírus”.

Enquanto isso, segundo a rede CNN, a China planeja testar dezenas de milhares de amostras de bancos de sangue que foram coletadas nos primeiros meses da pandemia.

Mas Chen Xu, embaixador do país para a Organização das Nações Unidas em Genebra, declarou que o trabalho da nova força-tarefa designada pela OMS não pode ser “politizado”.

“É hora de mandar as equipes para outros lugares”, afirmou.

OMS em meio a batalhas geopolíticas

Análise de Tulip Mazumdar, repórter de saúde da BBC

Com quase dois anos do início da pandemia, ainda não se sabe onde, quando e como o mortal Sars-Cov-2 surgiu. Investigar novos vírus é extremamente complexo, mas cientistas conseguiram encontrar a origem de duas outras epidemias relacionadas a linhagens anteriores do coronavírus — ambas vieram de animais.

Faz nove meses que a última missão designada pela OMS retornou de Wuhan com a tese de que a propagação do novo coronavírus também teve início em animais. Mas prosseguem os questionamentos sobre a possibilidade de um acidente no laboratório que estuda cepas de coronavírus e mantém amostras de morcegos na cidade chinesa. Pequim sempre negou que isso tenha ocorrido.

A OMS afirma que a China não forneceu dados importantes relativos aos primeiros dias da pandemia. O órgão da ONU — que ficou em meio a um fogo cruzado geopolítico entre China e EUA — tem endurecido suas posições sobre investigar a hipótese de que o vírus escapou do laboratório.

O governo chinês tem se recusado a admitir a entrada de cientistas de outros países. Espera-se que o grupo designado pela OMS, com especialistas de 26 países diferentes, rompa o impasse e consiga respostas que evitem o surgimento de novas pandemias.