Do Mais Goiás

Cortes de benefícios podem causar greve de profissionais da Metrobus, em Goiânia

Categoria cobra soluções para a redução do vale alimentação pela metade, além de corte do anuênio no salário dos trabalhadores. Previsão é de greve a partir da próxima segunda-feira (13), caso as reivindicações não sejam atendidas

Sem acordo, os profissionais da Metrobus, empresa rodoviária que opera a linha do Eixo Anhanguera, vão parar. É o que afirma a categoria após a redução do vale alimentação pela metade, além de corte do anuênio no salário dos trabalhadores. Previsão é de greve a partir da próxima segunda-feira (13), caso as reivindicações não sejam atendidas. Decisão foi assinada por 309 funcionários durante Assembleia realizada na manhã deste domingo (5). 

Ao Mais Goiás, um motorista da empresa, que preferiu não ser identificado, contou que os cortes foram feitos em março deste ano. Segundo ele, os trabalhadores recebiam R$ 1.037, 00 referente ao vale alimentação. No entanto, sem aviso prévio, a Metrobus reduziu o valor para R$ 691,00. Além disso, o adicional por tempo de serviço (anuênio) que correspondia a 3% do salário foi cortado. A categoria também cobra a negociação do Acordo Coletivo para 2019,  convenção entre sindicatos de trabalhadores e empregadores, que deveria ter sido realizado em fevereiro, mas ainda não ocorreu.

“Nós fazemos o planejamento das despesas de casa com base no que recebemos. Do nada, sem aviso ou negociação, eles reduzem nosso salário. Fomos pegos de surpresa e como ficam as contas agora?”, questiona. De acordo com o funcionário, a justificativa da gestão é a necessidade de redução dos gastos para levantar a empresa. Conforme explica ele, a categoria entende o momento pelo qual a Metrobus passa, mas não aceita que os benefícios sejam retirados. “Compreendemos a situação, sabemos das dificuldades, mas não podemos aceitar que a empresa se levante às custas dos trabalhadores. É inadmissível”, afirmou.

O motorista lamentou ainda o fato de terem que pagar o conserto dos veículos em caso de arranhão ou batida. “Se nos envolvermos em qualquer acidente que o ônibus estrague, arranhe, amasse ou qualquer coisa do tipo, somos obrigados a pagar. Já era difícil pagar o conserto antes dos cortes, imagine como será agora”, criticou.

Negociações

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários em Goiás (Sindittransporte), Geraldo Rosa Sabino, disse à reportagem que o benefício do vale transporte era dado há cerca de 15 anos. Segundo ele, a entidade tenta negociação com o presidente da Metrobus Paulo César Reis, mas o diálogo não tem avançado. “Ele está irredutível. Fizemos uma audiência na Superintendência do Trabalho e ele não compareceu. Caso a conversa não avance os profissionais vão paralisar, o que irá causar um colapso no transporte coletivo”, afirma.

De acordo com ele, a categoria precisa obedecer a lei de greve e por isto, não há estimativa concreta da dimensão da paralisação. “Estamos em negociação. Não posso precisar agora por quanto tempo ficarão parados, nem quantos trabalhadores irão aderir ao movimento. Pode ser que nem haja a greve, caso haja acordo. Ainda não é possível dimensionar tais questões, nem o impacto da ação para os usuários do transporte. O que podemos garantir é que em caso de desacordo, a ação será grande”, disse.

O deputado estadual Alysson Lima (PRB), escolhido pelos trabalhadores para representá-los nas negociações, afirmou que espera o grupo na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), nesta terça-feira (7). “Sou absolutamente contra esses cortes feitos na média salarial do trabalho. Sabemos das dificuldades da gestão, mas se é preciso cortar, que seja feito nos altos salários. Amanhã (terça-feira) vamos iniciar tentativa de abertura de comunicação com o Governo e presidente da empresa”, comentou.

A reportagem tentou contato com a Metrobus e aguarda o posicionamento da empresa.

Privatização

Em abril deste ano, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, entregou aos integrantes da Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos (CDTC) uma cópia da carta de intenções firmada e assinada entre ele e o governador Ronaldo Caiado (DEM). O documento formaliza devolução da concessão do Eixo Anhanguera à Prefeitura. A carta expõe ainda a possibilidade de privatização.

“A Metrobus não tem conseguido prestar o serviço para o qual foi contratada de forma eficiente, segura, de qualidade e continuidade que atendam à demanda que a atualidade exige”, diz trecho do texto. De acordo com a carta, nos últimos anos, a situação econômica da empresa tem sido marcada por crises. Um déficit mensal de R$ 2,5 milhões foi utilizado como argumento para as medidas.

A entrega da concessão será feita juntamente com um estudo que irá avaliar possíveis melhorias e medidas para aprimorar a qualidade do serviço.

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