PARALISAÇÃO

Correios entram em greve para exigir manutenção de benefícios

A presidência nacional apresentou proposta, que não foi aceita pela categoria


Eduardo Pinheiro
Do Mais Goiás | Em: 18/08/2020 às 10:39:33

Foco foi identificado em unidade dos Correios do Jardim Guanabara. Foto: Fernando Frazão-Agência Brasil.
Foco foi identificado em unidade dos Correios do Jardim Guanabara. Foto: Fernando Frazão-Agência Brasil.

Trabalhadores dos Correios de todo o país iniciaram greve na manhã desta terça-feira (18). A categoria decidiu, através da coordenação da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios (Fentect) em assembleia geral, realizada na segunda-feira (17), que iria paralisar as atividades em prol do pagamento integral dos benefícios presentes em acordo coletivo. A presidência nacional apresentou proposta, que não foi aceita pela categoria.

Matéria do Mais Goiás publicada no fim de julho adiantou a possibilidade de greve em agosto.

Em Goiás, de acordo com Sindicato dos Trabalhadores na Empresa dos Correios e Telégrafos (Sintect), pelo menos 300 trabalhadores participaram da assembleia que definiu a participação no movimento. Como isso, a categoria promete paralisar as atividades por tempo indeterminado pelo que consideram retirada de direitos, contra a privatização e “negligência com a saúde dos trabalhadores em relação à covid-19”.

Segundo o secretário-geral do sindicato em Goiás, Ueber Ribeiro, o governo federal parou de pagar o acordo coletivo que vigeria por dois anos. A proposta enviada pela direção nacional retiraria 70 cláusulas do acordo, diminuindo sensivelmente o vencimento dos trabalhadores.

Benefícios

Entre os benefícios retirados pela proposta da diretoria estariam a retirada de 30% do adicional de risco, vale alimentação, auxílio creche, 70% sobre férias, licença maternidade de 180 dias, entre outros.

Ueber argumenta que o regime de trabalho é regido pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), mas que esses benefícios foram conquistados através de luta dos trabalhadores desde a década de 1980. “A retirada desses benefícios faz parte da estratégia para a privatização da empresa e foram feitos dentro de um contexto de pandemia”, aponta.

O presidente do sindicato diz que pessoas favoráveis à privatição construíram um discurso de que a empresa é deficitária, mas afirma que o apontamento é incorreto. Além disso, ele sustenta que os Correios estão presentes em todas os municípios brasileiros e o monopólio é somente da carta social. “Existem mais de 30 empresas no setor que exploram entrega de produtos, mas nenhuma consegue um preço menor e presença em todo o território nacional. Os Correios entregam em lugares remotos, de barco, a cavalo, como for preciso”, avalia.

Resposta

Por meio de nota, a empresa afirma que desde o início das negociações com as entidades sindicais, teve objetivo primordial e cuidar da saúde financeira da empresa, “a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia”.

Além disso, argumenta que a diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta está na ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período – dez vezes o lucro obtido em 2019. O que seria uma proposta “impossível de ser atendida”.

A nota ainda diz que respaldados por orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), bem como por diretrizes do Ministério da Economia, os Correios se veem obrigados a zelar pelo reequilíbrio do caixa financeiro da empresa. “Em parte, isso significa repensar a concessão de benefícios que extrapolem a prática de mercado e a legislação vigente. Assim, a estatal persegue dois grandes objetivos: a sustentabilidade da empresa e a manutenção dos empregos de todos”.

A empresa informa que possui Plano de Continuidade de Negócios, para continuar atendendo à população em qualquer situação adversa.