Retorno

“Coração volta a viver”, diz pai de bebê sequestrado em maternidade e devolvido à família biológica

Criança havia sido deixada para adoção na maternidade Nascer Cidadão em maio deste ano, mas foi sequestrada por uma técnica em enfermagem da unidade de saúde


Jessica Santos
Do Mais Goiás | Em: 18/09/2019 às 12:13:40

Alívio e muito amor a dar. Estes são os sentimentos de Thaysson Rodrigues, pai biológico do bebê que foi deixado para adoção na maternidade Nascer Cidadão.(Foto: Reprodução)
Alívio e muito amor a dar. Estes são os sentimentos de Thaysson Rodrigues, pai biológico do bebê que foi deixado para adoção na maternidade Nascer Cidadão.(Foto: Reprodução)

Alívio e muito amor a dar. Estes são os sentimentos de Thaysson Rodrigues, pai biológico do bebê que foi deixado para adoção na maternidade Nascer Cidadão, em Goiânia, e sequestrado em maio deste ano por uma técnica em enfermagem que atuava na unidade de saúde. Criança foi entregue à família na manhã desta quarta-feira (18).

O bebê havia sido deixado na unidade de saúde após o nascimento para ser colocado para adoção, pois a família passava por dificuldades financeiras. No entanto, antes que isso fosse possível, a técnica em enfermagem, Elenita Aparecida Lucas Correia, sequestrou o recém-nascido.

Ao Mais Goiás, Thaysson afirmou que a família ficou bastante abalada com a notícia do sequestro do recém-nascido. “Não acreditamos quando contaram. São coisas que acontecem com outras pessoas e pensamos que nunca vão acontecer com a gente. Foi o pior momento de nossas vidas”.

Segundo ele, o casal resolveu desfazer o processo de adoção e tentar a guarda da criança novamente depois que a situação financeira da família melhorou. “Na época eu estava desempregado e meu filho havia se acidentado. Estávamos em crise, mas alguns amigos ajudaram a quitar contas atrasadas e consegui um emprego fixo que agora dá para manter a casa”, disse o homem que trabalha atualmente no ramo de construção civil.

“Todo pai e mãe que ama o filho quer ficar com ele. Com a gente não foi diferente. Antes não tínhamos condições, mas agora vamos cuidar e amar ele”, contou. Sobre a sensação de estar com a criança em casa novamente, Thaysson dispara: “coração volta a viver”.

Retorno

Com quatro meses de vida, o bebê, que foi chamado de João Pedro por funcionários do abrigo Niso Prego, foi registrado pelos pais biológicos como Thalles Leon. A criança vivia no local desde que foi resgatado da residência de um casal que ficaria com ele de forma ilegal.

A casa foi preparada pelos pais para a chegada do filho. “Está tudo organizado. Ganhamos roupinhas e até cestas básicas. Não temos luxo, mas temos conforto e amor. Agora ele está com a família e será bem cuidado”, afirmou Thaysson.

O bebê voltou para os cuidados dos pais na manhã desta quarta-feira, após decisão judicial proferida pela juíza da Infância e Juventude, da Comarca de Senador Canedo, Maria Socorro. A magistrada entendeu que o principal motivo apresentado pela mãe da criança (dificuldades socioeconômicas) foi superado.

“Cabe considerar que pelos relatos apresentados por ela, passaram naquele momento por uma situação de crise, onde o filho de seu companheiro sofreu um acidente precisando de cuidados médicos e ainda o momento de sensibilidade e mudanças hormonais/emocionais que envolve o puerpério. Cabe ressaltar que não percebemos situações que desabonem a genitora quanto ao desacolhimento da criança em tela”, justificou.

Relembre o caso

No dia 30 de maio deste ano, câmeras de segurança da maternidade Nascer Cidadão flagraram a técnica de enfermagem Elenita Aparecida Lucas Correia saindo com um saco plástico que continha um volume. Dias depois foi constatado que se tratava do bebê que havia nascido no dia 25 daquele mês e que foi deixado na unidade pela família para que fosse adotado.

As investigações da Polícia Civil (PC) apontaram que a técnica sequestrou a criança e andou cerca de 30 quilômetros com o bebê dentro do baú de uma motocicleta. Ela o levou até a casa de uma prima que, junto ao marido, ficaria com o menino.

Em depoimento, a mulher confessou o crime e afirmou que pretendia “presentear” a prima que havia perdido o filho aos seis meses de gestação. Elenita responde por crimes de subtração de incapaz e periclitação da vida do bebê.