RISCO DE EPIDEMIA

Contra dengue, operação abre imóveis abandonados e multa locais com criadouros de mosquito em Goiânia

Penalidade mínima é de R$ 2,2 mil e pode chegar a R$ 20 mil. Capital enfrenta risco de epidemia já que o índice de infestação do mosquito é de 2.77%, quando o aceitável é de 1%


Jessica Santos
Do Mais Goiás | Em: 15/04/2020 às 10:51:53

Contra dengue, operação abre imóveis abandonados e multa locais com criadouros de Aedes aegypti em Goiânia (Foto: Valdir Antunes/Reprodução)
Contra dengue, operação abre imóveis abandonados e multa locais com criadouros de Aedes aegypti em Goiânia (Foto: Valdir Antunes/Reprodução)

Uma operação da Prefeitura de Goiânia fiscaliza, a partir desta quarta-feira (15), 470 cerca de imóveis abandonados. Ação visa combater a dengue e vai multar proprietários de locais com criadouros do Aedes aegypti. Penalidade mínima é de R$ 2,2 mil e pode chegar a R$ 20 mil. Capital enfrenta risco de epidemia, já que o índice de infestação do mosquito é de 2.77%, quando o aceitável é de 1%.

O gerente de vetores do Departamento de Zoonoses da capital, Fernando Nascimento, explica que os proprietários dos imóveis passaram por grande período de notificação, mas não tomaram providências quanto à eliminação dos focos da dengue. Assim, a Prefeitura propôs ação na Justiça para adentrar nos locais, fiscalizar os ambientes e combater possíveis focos.

Com resposta positiva da Justiça, os agentes de endemias do Departamento de Controle de Zoonoses (DCZ) deram início à operação com apoio de chaveiros e Guardas-civis Municipais (GCMs).

“Por um longo período os proprietários foram procurados para tomar as devidas providências. Como o problema permaneceu, tivemos que tomar medidas mais duras. Estamos atuando diretamente com os fiscais que, ao encontrarem possíveis focos, já irão emitir a multa no CPF do dono do imóvel”, disse.

Ao todo, serão fiscalizados 470 imóveis abandonados e fechados em Goiânia. Locais onde  forem encontrados focos do mosquito transmissor serão multados. Para imóveis residenciais, o valor é R$ 2.255 mil. Caixa d’agua, reservatórios ou cisternas sem tampas adequadas, R$2.258. Piscina sem tratamento, R$ 6.273,75. Se o imóvel for comercial, a multa aplicada é de R$ 5.646. No caso de construções civis, o valor chega a R$ 22,6 mil.

“Quando essa eliminação não for possível como no caso de piscinas e caixas d’água, o dono terá que dar um jeito de combater o foco. Não dá mais para deixar a irresponsabilidade de uma pessoa causar danos à saúde de tantas outras”, ressaltou Fernando.

Risco de epidemia

Segundo o gerente de vetores Fernando Nascimento, a capital possui risco de epidemia de dengue, já que o índice de infestação predial é de 2,77%, quando o aceitável e satisfatório é de 1%. Até o momento, conforme explicou ele, 5,7 mil casos suspeitos de dengue já foram notificados em 2020.

Em 2019, 35.062 pessoas tiveram dengue na capital, 15 morreram em razão da doença. De acordo com Fernando, houve redução de 55% nos casos de dengue em Goiânia, até o momento, em 2020. Apesar disso, ainda há preocupação em razão da taxa de infestação.

“O atual cenário aponta que o vírus não está circulando, mas há muito mosquito na capital, o que significa dizer que a cidade pode sim ter uma epidemia da doença”, afirmou.

O gerente ressalta que, diante da pandemia do coronavírus, o combate da dengue tem sido feito de forma educativa, com trabalho de orientação. “Estamos evitando de entrar nas casas, mas estamos orientando a população. Pedimos que quem está em casa nesse período se atente aos cuidados e faça as limpezas necessárias. A dengue está aí e se não tomarmos as providências pode ocorrer epidemia”.