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Conheça Nadia Podoroska, surpresa argentina nas semis de Roland Garros

Tenista de 23 anos é a 1ª a sair do qualificatório e chegar a essa fase do torneio


FolhaPress
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Do FolhaPress | Em: 06/10/2020 às 15:01:34

Nadia Podoroska, semifinalista do torneio de Roland Garros (Foto: Divulgação)
Nadia Podoroska, semifinalista do torneio de Roland Garros (Foto: Divulgação)

O nome pode enganar quem está acostumado com a presença de tantas tenistas do leste europeu na elite do esporte, mas Nadia Podoroska, bisneta de ucranianos e apelidada de “La Rusa”, se define como “completamente argentina”.

Nascida em Rosario, cidade-natal também de Lionel Messi, a mais nova semifinalista de Roland Garros era pouco conhecida do grande público até a última semana.

Agora, depois de oito vitórias consecutivas no Grand Slam de Paris, Podoroska, 23 anos e 131ª do ranking mundial, tornou-se a primeira tenista a sair do qualificatório e chegar a essa fase do torneio na era profissional.

Nesta terça-feira (6), ela eliminou a de fato ucraniana Elina Svitolina, cabeça de chave número 3, por 2 sets a 0 (6/2, 6/4), comandando os pontos com seu forehand, aplicando curtas matadoras e dominando completamente a favorita. Isso na primeira vez em que disputou a chave principal do torneio e no seu primeiro duelo contra uma top 10.

Podoroska, que no início do ano estava fora do top 200, espera como adversária por uma vaga na decisão a vencedora de um duelo entre outras duas surpresas: a sensação polonesa Iga Swiatek, 19, que derrubou a favorita Simona Halep nas oitavas, e a também surpreendente italiana Martina Trevisan, 26. Assim como a argentina, Trevisan saiu do qualificatório.

Não faltam compatriotas para que Podoroska se inspire em sua improvável caminhada no saibro de Paris. Gabriela Sabatini, que foi número 3 do mundo, venceu o US Open em 1990 e fez semi em Roland Garros por cinco vezes, é a maior referência do país no tênis feminino. Sua aposentadoria, em 1996, se deu poucos meses antes do nascimento de Nadia, em fevereiro do ano seguinte.

Paola Suárez foi a última a chegar à semi do Grand Slam francês, em 2004.

Podoroska cresceu também admirando pela TV os compatriotas que se destacaram principalmente sobre o saibro. No mesmo 2004 em que Suárez brilhou na França, a final masculina teve Gastón Gaudio vencendo o compatriota Guillermo Coria. Nadia tinha sete anos de idade.

O último título em simples de Grand Slam do país foi conquistado por Juan Martín Del Potro, que venceu o US Open de 2009 derrotando Roger Federer na final.

Atualmente, não há nenhuma sul-americana entre as 100 primeiras do ranking feminino (a argentina entrará ao menos no top 50 na próxima semana), prova da dificuldade para que atletas do continente se desenvolvam com poucos torneios de alto nível para jogar na região e lutando para se bancar com despesas em euros e dólares longe de casa.

Há dois anos, Podoroska se estabeleceu em Alicante, na Espanha. “Desde muito jovem tive o apoio dos meus pais, sem isso não poderia ter feito carreira. Teria receio se a minha filha me dissesse que quer se dedicar ao tênis aos 12 anos e estudar a distância”, reconheceu a atleta. “Eles [pais] me disseram: ‘enquanto você estiver feliz, nós a apoiaremos'”.

Os 425 mil euros (R$ 2,8 milhões) que ganhará pela campanha até agora já superam com folga os US$ 302 mil (R$ 1,7 milhão) de premiação que somou ao longo da carreira e permitirão que ela não precise mais fazer contas para saber se terá dinheiro para continuar no circuito profissional.

Seu único título na elite do tênis foi conquistado em duplas, ao lado da brasileira Bia Haddad, no WTA de Bogotá, em 2017. Também foi campeã de simples nos Jogos Pan-Americanos de Lima-2019, o que lhe garantiu vaga na Olimpíada de Tóquio.

“Quando eu era menina, estava tão ansiosa para estar onde estou hoje que me machucou. O sucesso veio porque parei de procurá-lo”, afirmou a atleta, destacando que a preparação mental, além de golpes afiados, a ajudou a chegar tão longe.

“Fez-me muito bem trabalhar com um treinador mental, que segue a linha do zen budismo. Ele me deu aulas para tirar o contexto, remover as desculpas. Em vez de olhar para a reclamação, o negativo, vou para o positivo, para aproveitar as oportunidades.”