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Comunidade haitiana em Aparecida prepara despedida para presidente assassinado

"Ainda estamos avaliando a melhor data para fazer a homenagem", diz organizador

Viúva de presidente assassinado retorna ao Haiti com colete à prova de balas
Dois agentes da segurança do presidente estão detidos; polícia desconfia que oficiais teriam facilitado o crime (Foto: Reprodução/O Tempo)

Imigrantes haitianos que vivem em Aparecida de Goiânia preparam uma cerimônia de despedida em homenagem ao presidente do Haiti, Jovenel Moïse, assassinado no início do mês em Porto Príncipe. A ideia inicial era acompanhar de forma simultânea o funeral do mandatário, marcado para a próxima sexta-feira (23).

No entanto, o pastor Dorval Nodiel, líder religioso da comunidade haitiana radicada em Aparecida, encontra dificuldade para mobilizar os compatriotas. Segundo ele, porque a maioria não consegue licença do trabalho para participar da mobilização. A ideia seria, a princípio, fazer uma caminhada do Setor Expansul, onde fica a Igreja Metodista na qual o pastor congrega, com levantamento de bandeiras do país e fotos do presidente assassinado.

“Ainda estamos avaliando a melhor data para fazer a homenagem”, diz o pastor. Ele afirma que Jovenel Moise era muito querido pelos haitianos e fazia avanços importantes para os país. “Queremos lamentar a morte dele e pedir justiça. Ele e a família foram mortos dentro de casa”, lamenta.

O diretor de igualdade racial de Aparecida, André Luiz de Souza, aponta que a data da homenagem deve ser definida na quinta-feira (22), em reunião para acertar os últimos detalhes. “Vamos avaliar a viabilidade. Eles querem algo simultâneo, por volta das 9h de sexta, algo parecido com uma missa de sétimo dia”, diz.

Aparecida tem, pelo menos, 500 imigrantes haitianos que vieram ao Brasil fugidos da miséria e falta de estrutura do país após o terremoto de 2010.

Assassinato

Jovenel Moise foi assassinato a tiros em um ataque à residência oficial na capital Porto Príncipe. A primeira-dama, Martine Moise, também levou um tiro. Autoridades do país disseram que foi frustrada uma “tentativa de golpe” de Estado contra o presidente, que teria sido alvo de um atentado mal sucedido em fevereiro. Na ocasião, mais de 20 pessoas foram presas, inclusive um juiz federal do Tribunal de Cassação e uma inspetora geral da Polícia Nacional.

O episódio de assassinato é considerado obscuro, já que um grupo invadiu a casa presidencial, deu 12 tiros em Jovele Moïse e saiu sem ser interceptado. Ex-militares colombianos mercenários são apontados como autores do assassinato. O médico haitiano-americano Christian Emmanuel Sanon, que vive na Flórida, nos Estados Unidos, é acusado de ser mandante do crime ao lado do senador John Joel Joseph. No entanto, há mais icógnitas que certeza nas investigações do crime.