Ton Paulo
Do Mais Goiás

Alta de combustíveis em Goiânia em março é a maior em 18 anos

A alta registrada é a maior desde fevereiro de 2003, quando o índice atingiu 16,13%

Foto: Jucimar de Sousa/Mais Goiás

A prévia da inflação registrada no mês de março para os combustíveis de veículos em Goiânia foi a maior entre as 11 capitais brasileiras pesquisadas pelo IBGE. De acordo com o instituto, a capital goiana teve uma variação de 14,24% nos combustíveis, ficando acima da média nacional (11,63%). A alta registrada é a maior desde fevereiro de 2003, quando o índice atingiu 16,13%

No geral, a alta no grupo de transportes em Goiânia foi de 4,95%. A maior variação positiva foi do etanol, que chegou a 16,43% em março, terceiro aumento no ano, o sétimo consecutivo e o segundo maior entre os locais pesquisados. A gasolina apresentou variação de 13,95%, acumulando 19,90% nos últimos doze meses.

Logo abaixo ficou Belo Horizonte. A capital mineira teve a segunda maior variação dos combustíveis em março, com 13,47%.

As capitais pesquisadas pelo IBGE foram: Belém (PA), Goiânia (GO), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Salvador (BA), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS), Recife (PE) e Distrito Federal.

Tendência é de alta contínua

Também em março, Goiânia registrou variação mensal de 1,40% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 – IPCA-15 (diferente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA apenas no período de coleta), a maior variação para o mês da série histórica (iniciada em 2000). Com isso, o acumulado no ano vai a 2,27%, e o acumulado dos últimos 12 meses, a 6,08%.

De acordo com o doutor em Economia e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Everton Rosa, devido ao que ele chama de “deterioração da demanda efetiva (consumo e investimento)”, a inflação, sobretudo sobre os mais pobres, decorre da “desorganização produtiva que vem ocorrendo desde o ano passado, somada a quebra da capacidade de crescimento implementada desde 2015”.

“Os empresários estão tentando recompor margens, seja a grande corporação internacional, ou o comércio da esquina, tendo em vista o encarecimento de insumos, sobretudo importados […] Muita gente busca recompor a perda de escala com aumento das margens cobradas. Penso, portanto, que a inflação tende a se manter incômoda, em elevação”, explica o professor.