Entorno do DF

Comandante da GCM em Planaltina de Goiás é preso por peculato durante posse de novo prefeito

Município enfrenta crise política com cassações e prisões de gestores. Guarda é suspeito de vender, de forma ilegal, motocicleta apreendida em operação de trânsito


Hugo Oliveira
Do Mais Goiás | Em: 14/11/2018 às 12:34:16

Comandante está na mesma prisão onde está o ex-prefeito da cidade, Pastor André, detido em operação do MP (Foto: reprodução/Facebook)
Comandante está na mesma prisão onde está o ex-prefeito da cidade, Pastor André, detido em operação do MP (Foto: reprodução/Facebook)

O comandante da Guarda Civil (GCM) de Planaltina de Goiás, Francisco Jesser Souza, 46, foi preso por peculato durante a solenidade de posse do novo prefeito da cidade, Eles Reis (PTC), na manhã de terça-feira (13), escolhido em eleições suplementares. O servidor, que já esteve à frente da Agência Municipal de Trânsito e Transportes (AMTT), é suspeito de vender pelo menos uma motocicleta apreendida em operação da pasta e que estava em um pátio da guarda, gerido em pareceria com a agência. As informações são da Polícia Civil (PC), a quem o agente público negou as irregularidades em oitiva prestada durante aquela tarde.

Conforme expõe o Cristiomário Medeiros, titular da delegacia regional, o crime que causou a prisão foi cometido no último 1°/10, quando uma motocicleta foi vendida por Jesser, por R$ 1.900. “A moto estava apreendida e não poderia ser repassada, muito menos, vendida. Tudo indica que comerciantes, interessados em revender as peças, ou moradores da zona rural tenham-na adquirido para circular por lá. O preço da comercialização é bem abaixo do praticado pelo mercado”.

Policiais reunidos em frente à Câmara Municipal, onde foi feita a prisão de Jesser (Foto: Airton Francisco do Nascimento/Facebook/ Chibata do Barão

As investigações tiveram início naquele mês e partiram da corregedoria da própria GCM. “Ele nega, diz que é armação, mas o assunto foi trazido à tona pela própria corregedoria da guarda. Foram eles que chamaram a PC para atuar sobre o caso na época. As investigações vão continuar. Encerraremos este inquérito em 10 dias e encaminharemos o assunto para a Justiça. Deveremos manter, entretanto, investigações sobre outros fatos e pessoas relacionados ao crime”, sublinha o delegado.

De acordo com Medeiros, este é o segundo caso ocorrido na cidade. Em julho de 2017, o antigo chefe da AMTT, Leandro Braz Dantas, que antecedeu Jesser na gestão do órgão, foi preso pelo mesmo crime. “Essa é a segunda vez que um responsável pela área é detido. Leandro repassou uma moto para terceiros no ano passado. É preciso que o município implante um sistema melhor para ter controle dos veículos apreendidos. Vamos procurar o Ministério Público (MP) para que seja feita uma recomendação nesse sentido ao novo prefeito”, critica.

Crise política

Francisco Jesser está preso na cadeia da cidade, onde também está o ex-prefeito Pastor André (PRB), detido na Operação Mãos à Obra, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), em novembro, para apurar irregularidade na reforma da Câmara Municipal de Planaltina. O Mais Goiás tentou contato com a defesa do comandante e com a prefeitura da cidade, que não retornaram até o fechamento da matéria.

O cargo de Jesser é ocupado, provisoriamente, pelo sub-comandante da guarda, Eduardo Araújo. Segundo ele, que apresenta uma nova versão para os fatos, o crime “não tem a ver com a GCM” e teria sido praticado enquanto Francisco era presidente da AMTT. “Não tem nada a ver com o comando da guarda, ele estava em um cargo de confiança. Está sendo apurada a liberação de três motos irregulares. Não se trata de venda de veículos. A corregedoria está averiguando e foi instaurado um processo administrativo”.

Planaltina vive uma fase difícil no que diz respeito à administração pública. Antes de Pastor André assumir a liderança do Executivo na cidade, o posto de prefeito era de David Alves Teixeira Lima (PR). Ele e a então vice, Maria Aparecida dos Santos (Pros), foram cassados em setembro de 2017 por compra de votos. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) chegou a julgar apelação da chapa em agosto, mas manteve a primeira decisão.