Do Mais Goiás

Com salários atrasados, professores do Basileu França entram greve

Mais de 5 mil alunos serão prejudicados e os profissionais estão ainda mais aflitos diante de um possível corte no quadro funcional

Professores de todas as modalidades do Instituto Tecnológico do Estado de Goiás (Itego) Basileu França entraram em greve nesta segunda-feira (29). A adesão ao movimento aconteceu de forma gradativa pelos professores desde a semana passada. Os profissionais reivindicam o pagamento dos salários atrasados e dos direitos trabalhistas.

Segundo os manifestantes, hoje completa 25 dias de atraso nos salários referente ao mês de setembro, que era para ser realizado no quinto dia útil deste mês. Além disso, os profissionais alegam que não estão sendo realizados os pagamentos do FGTS e INSS. “Estamos pressionados de ambos os lados, tanto por não saber quando iremos receber tanto por saber que boa parte dos funcionários podem ser demitidos. Isso é muito difícil para quem trabalha da arte”, conta a professora de canto Nataly Brum.

Diante desta situação, será realizado um ato nesta quarta-feria (31) em frente ao Palácio Pedro Ludovico Teixeira, na Praça Cívica. “Ficamos sabendo que buscam realizar o corte de 70% dos professores e funcionários administrativos. Queremos um posicionamento sobre isso, pois estamos nos sentindo lesados”, relata a professora.

Esse corte, representaria a demissão de 164 dos 194 professores que atuam no local. Além disso, metade dos alunos poderão ser dispensados dos seus cursos. “Tem determinados momentos que é possível realizar aulas coletivas, mas na maioria delas são necessários acompanhamentos individuais para o desenvolvimento do aluno. Caso isso aconteça, será difícil realizar o nosso trabalho, além de ser uma grande perca para a comunidade”, explica Nataly.

A situação na instituição preocupa principalmente os pais que têm filhos que estudam no local. É o caso do servidor público Elder Borges, que tem dois filhos que atuam na Orquestra infantil. Ele conta que os filhos, um menino de 11 e uma menina de 14 anos, já estão na escola há nove anos e que já fizeram diversas atividades na instituição.

“Essa situação é preocupante pois frequento a escola durante todo esse tempo e vemos que a unidade precisa de uma reforma física mais completa. Os professores também devem ser valorizados, pois estão ali para formar os novos cidadãos. Além disso, se esse corte acontecer, muitas crianças poderão perder sua vaga na escola, pois os professores não conseguirão ministrar aulas para mais de 5 mil alunos”, desabafa.

Além disso, Elder se diz revoltado com a situação em que a escola, que está há 51 anos no cenário artístico goiano e nacional, encontra-se atualmente. “Queremos uma posição imediata do governo. Pagamos nossos impostos para isso. Além da expressão artística ser um direito constitucional. A educação e a cultura é o que leva as nossas crianças a terem um futuro promissor”, ressalta.

Pais e professores preocupados com a situação no local estão com um grupo em uma rede social chamado SOS Basileu França. Nele estão sendo pontuados algumas ações para chamar atenção do governo para que a situação seja resolvida o mais rápido possível. Antes, a escola era batizada de Veiga Valle e foi determinado, em 2008, a realização de habilitação técnica profissional de nível Médio em Artes. Hoje o centro oferece oficinas de canto, dança, teatro, circo, artes cênicas e artesanato.

Respostas

O Mais Goiás entrou em contato com a Secretaria de Desenvolvimento (SED) que, por meio de nota, alegou que “tem buscado soluções junto à OS Cegecon para o retorno das atividades do Itego Basileu França o mais breve possível”. A pasta também reforçou que “ontem (29) pela manhã, o secretário da SED, juntamente com a equipe técnica, se reuniu com os gestores da Cegecon e professores do Itego Basileu França. Na ocasião, a Cegecon se comprometeu a regularizar as documentações referentes a obrigações trabalhistas e fiscais, para que assim sejam efetuados os repasses.

A reportagem também entrou em contato com o Centro de Gestão em Educação Continuada (Cegecon), Organização Social à frente da instituição. Confira a nota completa na íntegra:

O CEGECON, na qualidade de gestora do ITEGO Basileu França, compreende a reinvidicação dos professores em relação aos atrasos salariais, contudo esclarecemos que, dado a finalidade não lucrativa desta instituição, tal como qualquer organização social, não dispomos de capital de giro, conforme prevê a legislação, para arcar com as despesas com pessoal em casos de atraso, dependendo exclusivamente dos repasses que são realizados pelo Estado de Goiás.

Diante disso, e da notória dificuldade do governo do estado em arcar com as despesas, o que não se resume a esta organização social, empreendemos todos os esforços para promover a priorização naliberação detais recursos, atendendo prontamente a todas as solicitações efetuadas pela Secretaria de Desenvolvimento (SED).

Esclaremos ainda que alterações na estrutura do ITEGO dependem de um processo burocrático que escapa ao controle desta OS, dada a necessidade de liberação de verba específica para sua realização. Muito embora tais recursos já tenham sido solicitados à secretaria, o processo está aguardando análise do ente estatal.

O ITEGO Basileu França possui reconhecimento em âmbito nacional e internacional, além de um relevante papel social tanto para o município, quanto para o estado. Diante deste cenário, nos esforçamos incessantemente para garantir a manutenção

das atividades do ITEGO à proporção de sua relevância, mesmo com a defasagem do valor dos repasses em relação à realidade da instituição. Assim, priorizamos a manutenção do corpo docente, de modo a atender todo o crescente contigente acadêmico existente desde a assunção do contrato de gestão.

Neste momento de transição temos buscado o governo do estado para garantir a continuidade das atividades ali desempenhadas, pois compreendemos que eventuais cortes produziriam impactos negativos para a sociedade, que é quem mais depende das atividades realizadas no ITEGO, sendo que as tratativas encontram-se adiantadas para garantir o interesses de todos os envolvidos nesta questão sensível.

*Notícia atualizada às 15h07 para a inserção da nota resposta da Cegecon