Cecília Preda
Do Mais Goiás

Com restrições de horários, comércio reabre as portas em Goiânia

Apenas na região da 44, 500 lojas foram fechadas em março

Governo de Goiás não prorrogará decreto que fecha comércio na próxima semana
Governo de Goiás não prorrogará decreto que fecha comércio na próxima semana (Foto: Jucimar de Sousa)

O comércio não essencial voltou a abrir as portas nesta quarta-feira (31), após 30 dias fechado em Goiânia. Desde o dia 1º de março, com publicação do primeiro decreto da prefeitura da Capital, lojistas estavam impedidos de abrir suas lojas. Com a limitação de horário das 09h às 17h, comerciantes acreditam que será difícil recuperar prejuízo causado pelos dias de lockdown.

Em Campinas, o Mais Goiás flagrou trânsito intenso, mas a movimentação de clientes dentro das lojas ainda era pequena. “A gente acredita que até mesmo os clientes estão com dúvida se abriu mesmo ou não. Os governantes emitem tantos decretos de última hora que nem mesmo a gente sabe se amanhã iremos abrir as portas ou não”, relata o gerente de uma loja de joias, Rodrigo Pires.

A proprietária de uma loja de calçados, Débora Rodrigues afirma que a restrição de horário desanima os empresários do setor, que agora terão duas horas a menos para funcionar. “Os prejuízos desses dias foi muito grande, agora nossas lojas ficarão menos tempo abertas, nem de longe vamos conseguir recuperar o perdemos” ressalta a lojista.

Incertezas e perdas

Rodrigo comenta que a incerteza em relação as próximas medidas para conter à Covid-19 preocupa os comerciantes. Segundo ele, existe um receio de que o comércio possa não voltar a abrir depois dos próximos 14 dias de isolamento previsto pelo decreto estadual.

“É impossível saber o que vai acontecer. Pode ser que se os casos aumentarem a gente volte a ter que ficar fechado mais tempo, com isso todo nosso planejamento de vendas fica prejudicado”, afirmou o gerente.

Rodrigo ainda destacou que as vendas nas modalidades de pegue e leve e entrega fizeram com o faturamento caísse 80%. “O que fez com que pudéssemos manter nosso negócio sem demitir ninguém foram as vendas on-line. Mas aquela parcela que gosta de ver o produto não se adaptou com as formas de retirada e delivery”, pontuou.

Rodrigo Pires é gerente de um loja de joias no setor Campinas, em
Goiânia. (Foto:Jucimar de Sousa)

Fechamento e demissões

Apenas no mês de março, 500 lojas foram fechadas na região da 44 e 1.500 pessoas perderam seus empregos segundo, Lauro Naves, vice-presidente da Associação Empresarial da Região da rua 44 (AER 44).

Para ele, a reabertura do comércio traz esperança de que as empresas possam se reerguer, mas que o modelo de funcionamento 14X14 proposto pelo governo dificulta a manutenção dos custos operacionais das lojas. “Como que uma empresa funciona  apenas 14 dias para bancar gastos do mês inteiro. Essa conta não fecha”, afirma Lauro.

Para o vice-presidente, o comércio não foi o responsável pelo aumento de casos da Covid-19. “Estamos pagando uma conta que não é nossa. Não foi no comércio que as pessoas se contaminam. Foram nas aglomerações de fim de ano. Nas festas de carnaval. Até porque nas lojas seguimos todos os protocolos de segurança”, concluiu Naves.