Operação Caifás

CNBB manifesta solidariedade a presbitério e bispo preso, em Formosa

Nove presos são investigados por desvio de dinheiro proveniente de dízimos, doações, taxas de batismo, casamento e de arrecadações festivas dos fiéis


Amanda Sales
Do Mais Goiás | Em: 20/03/2018 às 16:23:23

Bispo Dom José Ronaldo, de Formosa, foi preso nesta segunda-feira (19) (Imagem: Ministério Público de Goiás)
Bispo Dom José Ronaldo, de Formosa, foi preso nesta segunda-feira (19) (Imagem: Ministério Público de Goiás)

Após a prisão do bispo Dom José Ronaldo Ribeiro, o vigário geral, monsenhor Epitácio, quatro padres e três servidores administrativos da Igreja Católica de Formosa, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou solidariedade ao presbitério e ao bispo. Em nota assinada pelo bispo auxiliar de Brasília e secretário geral do órgão, Leonardo Ulrich Steiner, a entidade pede que o caso seja investigado com justiça e transparência.

As prisões foram consequência da operação Caifás, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), em Formosa, Posse e Planaltina, nesta segunda-feira (19). Os nove presos são investigados por desvio de dinheiro proveniente de dízimos, doações, taxas de batismo, casamento e de arrecadações festivas. Segundo o órgão, as investigações se iniciaram após denúncias de fiéis dando conta que os desvios haviam sido iniciados em 2015.

Segundo o MP, alguns padres estão sofrendo perseguições e retaliações por parte do bispo Dom José Ronaldo, de Formosa, e do Juiz Eclesiástico Thiago Venceslau, de São Paulo.  Esse seria o motivo pelo qual, mesmo suspeitando dos desvios, os sacerdotes não denunciavam o esquema de recursos da igreja.

De todo dinheiro arrecadado pelas paróquias, 10% proveniente de taxas de casamentos, batismos, dízimos e 15% referente ao arrecadado em festejos eram destinados à cúria para custeio das despesas da igreja e realização de projetos sociais. Mas, segundo as investigações, o dinheiro era desviado para contas pessoais dos párocos por meio de transferências bancárias ou em espécie. A arrecadação média da diocese girava em torno de R$ 17 milhões por ano e estima-se que, do ano passado para cá, cerca de R$ 1 milhão tenha sido desviado.

Durante a operação foi apreendida uma grande quantidade de dinheiro em posse dos suspeitos, além de coleções de relógios, produtos eletroeletrônicos e veículos. Para a lavagem de dinheiro, alguns compraram gados e até uma lotérica em Posse. Na conta pessoal do padre Waldson José de Melo foi encontrado o valor de R$ 400 mil. Com o padre Epitácio, foi encontrado uma soma representativa superior a R$ 70 mil que estavam escondidos em um armário com fundo falso, isso depois de alegar aos policiais que não havia consigo.

Confira na íntegra a nota da CNBB:

Diante da prisão do bispo da Diocese de Formosa no estado de Goiás, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB manifesta a solidariedade com o presbitério e os fiéis da Diocese, recordando ao irmão bispo que a justiça é um abandonar-se confiante à vontade misericordiosa de Deus. A verdade dos fatos deve ser apurada com justiça e transparência, visando o bem da igreja particular e do bispo. Convido a todos os fiéis da Igreja a permanecermos unidos em oração, para sermos verdadeiras testemunhas do Evangelho.

Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário geral da CNBB

 
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