Crimes

Clientes denunciam estelionato por empresa de festa em Goiânia

Proprietários da empresa recebiam 50% do valor antes da prestação de serviços e não apareciam nos eventos. O caso é investigado pela PC


Jessica Santos
Do Mais Goiás | Em: 21/08/2019 às 12:52:12

PC investiga suposto estelionato praticado por empresa de festa em Goiânia. Clientes e fornecedores vítimas do crime denunciaram o caso. (Foto: Reprodução/ Google Street View)
PC investiga suposto estelionato praticado por empresa de festa em Goiânia. Clientes e fornecedores vítimas do crime denunciaram o caso. (Foto: Reprodução/ Google Street View)

Clientes e fornecedores denunciam dois proprietários de uma empresa de buffet por estelionato, em Goiânia. Até o momento, cerca de 20 vítimas alegam que contrataram ou prestaram serviços, mas não tiveram a festa realizada pela empresa ou não receberam a quantia combinada. O caso é investigado pela Polícia Civil (PC).

De acordo as vítimas, a dupla age de forma semelhante em todos os casos. “Eles fecham o contrato com os clientes e recebem 50% do valor total antes da prestação de serviço. Dias depois começam a insistir para efetuação do valor integral prometendo descontos gigantes”, conta Renata Maria de Oliveira.

A suspeita é que o estelionato ocorra desde 2017. Porém, o mais recente aconteceu no Setor Jardim Goiás, em Goiânia, no último sábado (17). Proprietária de um espaço de eventos, Flaviana Loureiro conta que viveu o drama da família de uma adolescente de 15 anos que contratou os serviços da empresa.

“Vi a família em desespero porque contrataram a empresa, mas não tiveram os serviços prestados. O pessoal tentou ir atrás do dono da empresa, mas não conseguiram. Eles pensaram até em cancelar a festa”, disse. Segundo ela, entre R$ 7 e 8 mil foram pagos antes da festa.

“Os fornecedores que estavam no local não haviam recebido e eles se recusaram a prestar os serviços. A situação foi muito triste. Foi uma correria para que pudessem dar continuidade às comemorações sem o serviço contratado”, expõe.

Fornecedores

A confeiteira Jéssica Gonçalves Valadares recebeu uma encomenda de doces e bolos por parte da empresa denunciada. No dia 10 de agosto, um dos proprietários enviou a localização da festa para que os produtos fossem entregues. No local, o homem tentou efetuar o pagamento via cartão de crédito, mas a transação foi negada por oito vezes.

Sem sucesso na transação, segundo a mulher, o proprietário informou que faria uma transferência. “Ele me mostrou no celular o momento que colocava as informações da minha conta. No entanto, o dinheiro nunca caiu”.

Jéssica ainda tentou falar com o homem, mas não obteve retorno. Nada de resposta no WhatsApp ou atendimento de ligações. “Comecei a pesquisar o nome dele nas redes sociais e descobri diversas pessoas que sofreram golpes semelhantes”, disse.

Conforme explica ela, o homem possui três empresas no nome dele e uma série de números de telefone. “Com cada cliente ele fala por um número e depois de dar o golpe não atende mais. Uma das clientes teve prejuízo no valor de R$ 30 mil. Ele fechou toda a contratação, a mulher efetuou o pagamento, ele não cumpriu com o combinado e simplesmente fugiu”, comentou.

Investigação

Segundo expõe o delegado responsável pelo caso, Frederico Dias Maciel, um inquérito foi instaurado para investigar a suposta prática de estelionato. Apenas duas vítimas procuraram a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra o Consumidor (Decon) e registraram boletim de ocorrências até agora.

No entanto, conforme Frederico, há um grupo de WhatsApp com cerca de 20 pessoas que afirmam serem vítimas da dupla. “A investigação ainda está na fase inicial. Ouvimos duas pessoas e procuramos por mais vítimas. Nossa intenção é verificar se houve má fé, golpe ou se é somente uma questão de inadimplência”, afirmou.

O delegado pede para que eventuais vítimas entrem em contato com a corporação e auxiliam com quaisquer informações. “Ainda não há estimativa de vítimas porque estamos em fase preliminar. Por isso, pedimos que quem souber de caso semelhante faça a denúncia, pois toda informação auxilia na apuração”.