Reabilitação"

Cinco são presos em caso de sequestro por internação forçada de idoso em clínica Goianira

Prisão em flagrante ocorreu na GO-070, depois que PCs desconfiaram de ocupantes de veículo, que trafegava em alta velocidade, celebraram desrespeito a uma barreira eletrônica. Dono da clínica, um pastor de Goiânia, já é investigado pelo mesmo crime

Cidades

Hugo Oliveira
Do Mais Goiás | Em: 16/08/2019 às 11:11:38

Segundo PC, carro é inadequado para o transporte de pacientes; Ocupantes também não eram preparados e não estavam munidos de decisão judicial ou pedido médico (Foto: divulgação/PC)
Segundo PC, carro é inadequado para o transporte de pacientes; Ocupantes também não eram preparados e não estavam munidos de decisão judicial ou pedido médico (Foto: divulgação/PC)

Cinco pessoas vinculadas a uma clínica de reabilitação de Goianira foram presas por sequestro na quinta-feira (15). O flagrante ocorreu na GO-070, quando policiais civis da cidade e de Inhumas, em viatura descaracterizada, suspeitaram de um veículo que trafegava pela rodovia em alta velocidade, furou barreira eletrônica e cujos ocupantes celebraram a atitude colocando os braços para fora do carro. Na abordagem, os agentes descobriram que três dos homens tinham acabado de buscar um idoso, 63 anos, que estava sendo levado para internação contra a sua vontade, sem decisão judicial ou pedido médico, o que configura cárcere privado. Eles foram detidos no local.

Em diligências complementares, também foram presos um auxiliar de coordenação e o administrador do estabelecimento. Com exceção deste último, todos são internos ou ex-internos da Vivaz – Centro de Dependência Química e Alcoólica. O proprietário do estabelecimento, um pastor de Goiânia, não foi encontrado. Advogado dele, porém, ressaltou à polícia que o homem se apresentará à delegacia voluntariamente. Os nomes dos detidos ou do religioso não foram revelados.

De acordo com o delegado Bruno Costa e Silva, de Goianira, o veículo utilizado no transporte da vítima não é adequado. “Não é caracterizado, não foi adaptado como ambulância e não possuiu condições de fazer transporte de pacientes. Além disso, a condução da vítima era feita por pessoas sem formação nas áreas social ou de saúde e completamente despreparadas. Uma das pessoas que conduzia o idoso ainda era interno da clínica, em tratamento”, destaca.

(Foto: divulgação/PC)

Três dos indivíduos, ressalta Bruno, ainda possuem registros criminais, entre eles por tráfico, posse e uso de drogas, furto, roubo, ato obsceno, desacato e violência doméstica. Os funcionários afirmaram não possuir vínculo empregatício e que trabalham como voluntários no local. Os detidos foram autuados por sequestro qualificado, com um agravante, devido à idade da vítima e de se tratar de cárcere privado para internação em estabelecimento de saúde. Todos estão à disposição da Justiça no Presídio de Goianira.

O Mais Goiás também falou com o advogado André Filho, que compõe a defesa do pastor. “Acabei de fazer requerimento para ter acesso aos autos, tanto do flagrante de ontem como do inquérito já existente. Sendo, assim, vamos nos manifestar depois que isso nos for concedido”.

Reincidência e sequestro

O delegado lembrou que a mesma clínica – e o pastor –  já foi investigada, em 2017, pelo mesmo motivo: internação forçada de pacientes, sem decisão judicial ou pedido médico. “Na época ele foi advertido e está respondendo. Foram acionados órgãos de fiscalização, feitas apurações de documentos e agora constatamos que houve uma reiteração da conduta em desconformidade com a lei”.

Na delegacia, o idoso, que segundo o irmão dele é esquizofrênico, revelou ter sido abordado em casa pelos três indivíduos e que não reagiu por medo de ser ferido. “Apesar da condição médica que lhe foi atribuída, a vítima consegue se expressar com clareza e disse ter sido coagido, cercado pelos homens que o abordaram em sua residência, no Setor Santa Helena, em Goiânia”.

O irmão, que acionou a clínica, também foi ouvido. “O irmão acionou a clínica afirmou que a vítima teve um surto e estava oferecendo risco para si e para uma irmã deles que mora no mesmo lote. A família informou também que o idoso já ficou internado por seis meses no mesmo estabelecimento e que esta primeira condução também ocorreu de modo forçado. Porém, como ele não sabia das irregularidades, foi orientado a procurar o caminho legal, acionando serviços de emergência e polícias civil ou militar, caso for necessário”, revela o delegado. Os irmãos foram liberados.