Cinco pessoas são indiciadas por acidente que matou adolescente em parque de diversões, em Ceres

Os envolvidos irão responder por lesão corporal e homicídio culposo, quando há intenção. Prefeitura e estado também podem ser alvos de ações cíveis


Jessica Santos
Do Mais Goiás | Em: 20/03/2019 às 13:28:28

(Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)
(Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)

Cinco pessoas foram indiciadas pela morte de uma adolescente de 16 anos após acidente com brinquedo de um parque de diversões de Ceres, em outubro do ano passado. O dono do brinquedo, dois engenheiros, o operador da máquina e o responsável pelo estabelecimento vão responder por lesão corporal e homicídio culposo, quando não há intenção. Outras três jovens ficaram feridas.

Os laudos apontam que o acidente foi causado por más condições de uso e de manutenção do brinquedo, aliados à eventual falha humana. Testemunhas relatam que o operador da máquina, Raimundo Genivaldo da Lima Costa, não teria travado o brinquedo. À época, ele foi submetido ao teste do etilômetro e exame toxicológico, com resultado negativo para ambos. As informações são do delegado responsável pelo caso, Matheus Costa Melo.

Além do operador, o dono do brinquedo, Joel de Quadra; o responsável pelo parque, Juarez Alves da Costa, e os dois engenheiros, Ana Paula de Lima e Weslley Gonçalves Arruda, foram responsabilizados pelo acidente. O último citado também vai responder por falsificação de documento público, já que ele confessou ter utilizado o nome de Ana Paula para emitir um dos documentos que tornam um parque de diversões apto a funcionar: a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) era falsa.

De acordo com o delegado, o documento foi entregue ao Corpo de Bombeiros e à Prefeitura de Ceres, e por isso, os órgãos concederam alvará de funcionamento. Tanto o município quanto o estado podem ser alvos de ações cíveis. O promotor Marcos Rios recebeu o inquérito na última terça-feira (19) e informou que vai pedir novas investigações. Segundo ele, a proposta é pedir apoio a alguma delegacia especializada de Goiânia.

Mariane, Talia, Thatiely e Isabella se feriram em acidente com brinquedo em parque de diversões de Ceres. A última delas morreu após ficar internada. (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Demora nas investigações

As investigações foram alvo de crítica de familiares das vítimas e um ofício do Ministério Público de Goiás (MP-GO), chegou a cobrar agilidade na conclusão do inquérito. No documento enviado na última segunda-feira (18), o promotor de Justiça Marcos Alberto Rios requereu que o delegado apontasse os culpados pelo homicídio ou recorresse a uma delegacia especializada em Goiânia no prazo de 30 dias. Um ofício semelhante já havia sido enviado em outubro de 2018.

Segundo os autos, familiares da adolescente morta ouvidos pela promotoria relataram má vontade do condutor das investigações. Isso porque o responsável pelo caso é primo do prefeito de Ceres, que também poderia ser responsabilizado pelo acidente.

O delegado Matheus Costa, por sua vez, afirmou que inquérito foi concluído e enviado à Justiça no dia 7 março. De acordo com ele, as investigações demoraram devido à complexidade do caso. O laudo pericial teria demorado cinco meses para ficar pronto.  O Mais Goiás entrou em contato com o Tribunal de Justiça(TJ-GO) para verificar a situação relatada e aguarda um posicionamento.

Crea

Por meio de nota, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-GO) informou que instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta dos profissionais envolvidos na ocorrência.

Weslley, que se apresentava como Engenheiro Mecânico, apresentou documento falso para registro como engenheiro mecânico e em setembro de 2018 o registro dele foi cancelado. Ele também tinha registro como Técnico em Eletroeletrônica, no CREA, que foi cancelado devido à criação do Conselho dos Técnicos Industriais, pela Lei nº 13.639/2018. Agora o novo Conselho é responsabilidade pelo profissional.

A conduta da engenheira mecânica Ana Paula Borges Lima, está sob análise da Comissão de Ética Profissional do Crea-GO, em caráter prioritário. Após julgamento, a profissional enfrentará as sanções cabíveis, que abrangem advertência, censura pública, suspensão e até cancelamento do registro.

Confira nota na íntegra 

Sobre o indiciamento de profissionais da área tecnológica em razão de acidente ocorrido em 26 de agosto de 2018, em um parque de diversões em Ceres, causando a morte de uma adolescente e ferindo outras três, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO) vem, por meio desta, informar que instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta dos profissionais envolvidos na ocorrência.

No caso de Weslley Gonçalves Arruda, que se apresentava como Engenheiro Mecânico, identificou-se a falsidade do documento apresentado para registro no Crea-GO. Foi apresentada, para inclusão de atribuição, uma declaração de conclusão de curso de Engenharia Mecânica, em 9 de fevereiro de 2017, com data limite para apresentação do diploma em 9 de fevereiro de 2018. O diploma não foi apresentado e foi constatada a falsidade da declaração de conclusão. Assim, o título de Engenheiro Mecânico foi cancelado no Crea-GO em 3 de setembro de 2018.

O registro de Weslley como Técnico em Eletroeletrônica no Crea foi suspenso pela Câmara Especializada de Engenharia Elétrica em 13 de setembro de 2018 e, posteriormente, também foi cancelado, em razão da criação do Conselho dos Técnicos Industriais, pela Lei nº 13.639/2018, passando a ser do novo Conselho a responsabilidade sobre o profissional.

No caso da Engenheira Mecânica Ana Paula Borges Lima, sua conduta está sendo analisada pela Comissão de Ética Profissional do Crea-GO, em caráter prioritário. Após julgamento, a profissional enfrentará as sanções cabíveis, que abrangem advertência, censura pública, suspensão e até cancelamento do registro.

Relembre o caso

Um acidente em um brinquedo em parque de diversões deixou uma jovem morta e outras trÊs feridas, no dia 26 de agosto de 2018, em Ceres. Todas elas com idades próximas dos 16 anos. Três apresentaram escoriações e fraturas e uma delas, mais grave, morreu após ser internada.

À época, testemunhas relataram ao Mais Goiás que a velocidade do brinquedo Surf aumentou e a barra de segurança se soltou.”A barra caiu e as pessoas foram arremessadas para alto”, disse uma moradora da cidade, que não quis se identificar.