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Cinco advogadas de Goiás são suspeitas de integrar quadrilha de tráfico internacional

Operação da PC prendeu 33 pessoas, entre elas duas profissionais do Direito que tinham contato direto com líderes de facções criminosas, segundo a PC

Duas advogadas foram presas e outros três estão sendo investigados (Foto: divulgação/PC)
Duas advogadas foram presas e outros três estão sendo investigados (Foto: divulgação/PC)

Duas advogadas foram presas em uma operação da Polícia Civil de Goiás que colocou na cadeia nesta quarta-feira (16), 33 suspeitos de integrar uma quadrilha que atua no tráfico internacional de cocaína. Além das prisões, a polícia conseguiu, junto à Justiça, o bloqueio de quase R$ 50 milhões em bens dos investigados.

Iniciadas em 2019, as investigações, conduzidas pela Delegacia Estadual de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), apontaram que um grupo criminoso, que tinha entre seus membros pelo menos cinco advogados, faturou mais de R$ 150 milhões, entre 2017, e 2020, com o tráfico de drogas vindas da Bolívia, bem como com a venda e aluguel de armas para criminosos.

As duas advogadas presas hoje, segundo o delegado Klayter Camilo, titular da Draco, tinham ligação direta com líderes de facções criminosas que atuam em Goiás. “São profissionais que aproveitavam do acesso que tem aos detentos para levar e trazer mensagens e orientações sobre o tráfico de drogas, a venda de armas, a execução de rivais e até mesmo para batizar e cadastrar novos membros”, destacou.

Lavagem de dinheiro

Os agentes cumpriram, além das 33 prisões, 39 mandados de busca e apreensão em Goiânia, Trindade, e Senador Canedo. Três destes mandatos de busca, ainda de acordo com Kalyter Camilo, foram cumpridos na casa de outras três advogadas, que não tiveram as prisões solicitadas.

As investigações apontam que os presos também estariam atuando na lavagem de dinheiro, usando pessoas e empresas fantasmas em Goiás, Minas Gerais, Acre, Rondônia e Mato Grosso do Sul. Durante a operação de hoje, a Polícia Civil conseguiu o confisco de sete imóveis, dois veículos de luxo, um deles blindado, e o bloqueio de R$ 49.300.000 em contas dos investigados, que não tiveram nomes, nem idades divulgados.

OAB

Por meio de nota, a Ordem dos Advogados do Brasil seção Goiás (OAB-GO) criticou a ação da Polícia Civil. Veja abaixo o que diz, a íntegra do documento assinado pelo presidente Lúcio Flávio Siqueira de Paiva:

“ A Ordem dos Advogados do Brasil – seção Goiás (OAB-GO) vem a público manifestar indignação com a conduta panfletária da Polícia Civil do Estado de Goiás na divulgação da Operação Patrocínio Infiel. A começar pelo nome, agressivo e desrespeitoso de toda a advocacia goiana e brasileira, pois que não se dedica a separar o joio do trigo. Trata-se de uma conduta completamente incompatível com a seriedade devida a uma operação policial.

É certo que há maus advogados, assim como existem os maus policiais. São, porém, a exceção, não a regra, e a gloriosa Polícia Civil do Estado de Goiás lamentavelmente não se esforçou para fazer essa indispensável distinção.

Faz saber a OAB-GO que esse tratamento dado à advocacia não poderia ficar sem resposta, já que é sabido da autoridade policial que a instituição jamais se furtou a colaborar com qualquer investigação envolvendo advogados e, mais que isso, nunca deixou de punir os que se desviam da boa conduta com os maiores rigores da lei, em proteção da classe e da sociedade.

Nunca é demais lembrar que a advocacia é essencial à democracia, ao Estado de Direito e à defesa do cidadão. Qualquer tentativa de criminalizar a profissão é um atentado à Constituição e à liberdade.

Dito isso, a OAB-GO informa que acompanha com muita atenção o desenrolar da operação desde sua deflagração na manhã desta quarta-feira (16), por meio de sua Comissão de Direitos e Prerrogativas, e aguarda o desfecho das investigações para adotar as providências cabíveis e necessárias que o caso requer”.