Saúde

Cientistas brasileiros estudam impactos do sedentarismo no quadro de covid-19

Hipótese é de que ativos sejam mais resistentes aos sintomas leves. Sedentarismo está relacionado a mais de 30 doenças crônicas preveníveis


Da Redação
Do Mais Goiás | Em: 27/06/2020 às 14:51:53

Academias dentro de condomínios estão liberados, na avaliação do Conselho de Educação Física (Foto: reprodução/Istock
Academias dentro de condomínios estão liberados, na avaliação do Conselho de Educação Física (Foto: reprodução/Istock

Recomendações de prática de exercícios e alimentação balanceada não são novidades quando o assunto é manter o corpo saudável e prevenir doenças. Porém, cientistas ainda sabem pouco sobre a relação entre qualidade de vida ofertada pelas atividades físicas e os efeitos do novo coronavírus no organismo. Por isso, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) se debruçam sobre os impactos do sedentarismo nos quadros clínicos de pacientes sobreviventes infectados pelo Sars-CoV-2.

Integrante da equipe de cientistas, a pós-doutoranda do Departamento de Esportes da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da mencionada instituição, Daisy Motta, ressalta a importância do preparo físico para o organismo. Segundo ela, o sedentarismo está associado a mais de 30 doenças crônicas preveníveis.

“A Organização Mundial da Saúde recomenda a realização de, no mínimo, 150 minutos de atividade física por semana. Quem não atinge esses níveis pode ser considerado sedentário. Estudos sugerem que a inatividade física está associada a mais de 30 doenças crônicas, que poderiam ser prevenidas por uma mudança no estilo de vida”, adverte a pesquisadora.

As reações que exercícios físicos provocam no organismo são imediatas. Estudo publicado na revista científica Cell, mencionado por Daisy, ressalta que uma única sessão de exercícios é capaz de alterar mais de 9 mil moléculas no corpo humano. Para Motta, grande parte delas está associada a respostas do sistema imunológico, razão pela qual pesquisadores buscam entender correlações desse comportamento com o diagnóstico de Covid-19.

A estudiosa reforça que não existem alimentos ou remédios capazes de reproduzir os referidos efeitos da atividade física no organismo, convicção essa que motiva a estudiosos a trabalharem a hipótese de que indivíduos mais ativos possam ser mais resistentes aos sintomas mais leves do coronavírus. Outra suposição é de que essas pessoas cheguem com menos frequência ao ponto de internação pela doença na comparação com sedentários.

O grupo de cientistas buscam confirmar essas questões e decidiram realizar pesquisa on-line com pessoas que testaram positivo para a doença. Sedentários ou ativos podem participar. Voluntários respondem a questões sobre as consequências da covid-19 em seus organismos. Com os dados, especialistas serão capazes de traçar um panorama dos desfechos clínicos relativos ao númeor de hospitalizações e sintomas manifestados em cada grupo.

Daisy explica que a pesquisa distingue atividades físicas de exercícios. Também segmenta as práticas por quantidade de horas semanais praticadas antes da quarentena. “Atividade física pode ser ir a pé para o trabalho, trocar o carro pela bicicleta, fazer uma caminhada até o mercado, já o exercício são os treinos em academia, musculação e esportes”.

O questionário vai ficar disponível digitalmente até que a amostragem de 1.061 respondentes seja atingida. Qualquer pessoa que tenha contraído o vírus pode participar, basta acessar o link.