Chelsea convida vítima de racismo para assistir a jogo em Stamford Bridge

Intolerante com racismo, Mourinho espera que vítima compareça a Stamford Bridge para prestigiar espetáculo


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O Chelsea foi rápido para assumir uma posição contrário ao ato racista promovido pelos torcedores ingleses em Paris, na última terça. Depois de se colocar à disposição para as investigações, e já ter banido três torcedores acusados de envolvimento na ação, o clube inglês resolveu, por meio de sua assessoria, convidar a vítima de discriminação, o comerciante francês Souleymane, para assistir a partida de volta entre Chelsea e PSG em Londres, que definirá uma vaga nas quartas de final da Liga dos Campeões.

Em coletiva concedida na última sexta, José Mourinho, técnico dos blues, demonstrou certa intolerância com relação aos atos racistas e falou sobre o convite do clube.

“O Chelsea tem feito de tudo porque nós não toleramos atos deste tipo. Não há espaço para pessoas assim (racistas) no nosso clube”, disse o português, que tem nove jogadores negros em um plantel de pouco mais de 24 atletas. “Talvez ele (Souleymane) tenha uma ideia errada do que é o Chelsea FC. Eu não sei se o homem gosta de futebol, mas com certeza ele gostaria de sentir que as pessoas envolvidas nesse incidente não representam o clube”, prosseguiu.

Em entrevista ao The Guardian no meio de semana, Souleymane, de 33 anos, mostrou-se revoltado por ter sido alvo de discriminação racial e até cogitou entrar com uma ação contra ambos os clubes na Justiça. “Francamente, eu fiquei aturdido. Eu não sabia o que dizer. Sou um cidadão francês que deixou seu trabalho e queria ir para casa, e estrangeiros me pararam e impediram que eu pegasse um trem para casa. Isso é em 2015… Essa conversa de pele branca e preta atualmente é algo que não gosto. E nem sei por que acontece”, declarou.

Afirmando que é “vacinado contra o racismo” e agradecendo ao inglês Paul Nolan, autor da filmagem que percorreu as redes sociais e flagrou tal injustiça, Souleymane comentou suas reações. Variando entre a revolta e o pavor, o francês – com ascendência da Mauritânia – assumiu que “não forcei minha entrada porque tinham muitos torcedores lá, cerca de 30 ou 40 pessoas. Eu não ia brigar com eles. Tenho minha esposa e minhas crianças me esperando em casa. Sou pai, preciso servir como um bom exemplo”, explicou. (Gazeta)