Cerco a café na Austrália termina com três mortos e quatro feridos

Vídeo mostra o momento em que paramédicos resgatam a personal trainer, em Sydney.


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Terminou com três mortes e quatro feridos o cerco de 16 horas a um café na região central de Sidney, na Austrália. A polícia de Sidney informou que, entre a vítimas, está o homem identificado como Man Haron Monis, de 50 anos, que teria feito 17 reféns dentro do Lindt Chocolate Café. Além dele, um homem de 34 anos e uma mulher de 38 anos também foram mortas no desfecho do cerco.

Um policial e outros três reféns também ficaram feridos durante a ação da polícia. Segundo o porta-voz do Royal North Shore Hospital, que recebeu três feridos, nenhum deles está em estado grave.

Uma foi baleada na perna, e seu quadro é considerado estável. Um oficial recebeu um tiro de raspão no rosto, e seu quadro também é estável. Uma outra mulher de 30 anos chegou ao hospital reclamando de dores nas costas.

Um esquadrão anti-bomba vasculha com a ajuda de um robô a área próxima ao café atrás de explosivos. Durante o cerco, Monis obrigou os reféns a gravarem vídeos com suas demandas, e alertando as autoridades sobre bombas que teriam sido espalhadas ao redor da cidade. 

GOIANA SAI CARREGADA

Imagens mostram a goiana Marcia Mikhael saindo da cafeteria carregada por paramédicos com o pé esquerdo sangrando. A família diz que acredita não ser grave, mas não sabe o motivo do ferimento e adiantou que a personal trainer foi levada ao hospital.

Antes da libertação, o irmão da brasileira contou que Marcia trabalha no prédio onde fica o café e frequenta o local diariamente, mas não imaginava que sua irmã pudesse estar no local.

“Eu estava no trabalho hoje de manhã quando ouvi a notícia, não imaginava que minha irmã estava lá no meio. A primeira notícia que recebi é que ela estava no prédio, depois que realmente estava no café. Assim que os sequestradores entraram ela mandou um recado sobre o que estava acontecendo, assim ficamos sabendo”, afirmou o homem, identificado como Jorge, à GloboNews.

A informação de que Marcia era uma das reféns chegou aos familiares por meio de duas mensagens postadas no perfil da personal no Facebook e foi confirmada por outros parentes que moram em Sydney. Em uma das mensagens, a mulher lista as exigências feitas pelo homem.

Assista ao vídeo

O CERCO

O cerco teve início por volta das 9h45 de segunda-feira em Martin Place, praça do bairro financeiro de comercial do centro de Sydney que, nesta época do ano, está cheio de pessoas fazendo compras.

Monis está no radar das autoridades há tempos. No ano passado, ele foi sentenciado a 300 horas de trabalhos comunitários por escrever cartas ofensivas às famílias de soldados mortos no Afeganistão. Posteriormente, ele foi indicado por participar do assassinato de sua ex-mulher. No início deste ano, foi acusado por assédio sexual a uma mulher em 2002. Ele estava livre sob fiança.

“Sua ideologia é tão forte e tão poderosa que embaça sua visão para o senso comum e a objetividade”, declarou Manny Conditsis, ex-advogado de Monis, à Australian Broadcasting Corp. Segundo ele, a ação do ex-cliente não tem ligação com grupos terroristas.

Afroz Ali, imã do subúrbio predominantemente muçulmano de Bankstown, no oeste de Sydney, descreveu Haron como um homem perigoso, que provavelmente perdeu o controle por causa de seus contínuos problema com as autoridades australianas.

Ali disse que Haron é iraniano, mas é visto como dissidente na comunidade xiita de Sydney. “Definitivamente, ele não é reconhecido pela comunidade xiita. Ele vem operando de forma oculta”, declarou Ali, pouco antes do fim do cerco ao café.

Uma série de grupos muçulmanos australianos condenou o fato de Monis ter feito reféns em um comunicado conjunto. Esses grupos também afirmaram que a inscrição na bandeira é “um testemunho de fé que foi indevidamente apropriado por indivíduos equivocados”.

Numa demonstração de solidariedade, muitos australianos se ofereceram no Twitter para acompanhar pessoas vestidas com roupas muçulmanas que estiverem com medo de retaliação por causa do evento no café. A hashtag (#) IllRideWithYou (eu andarei com você) foi usada mais 90 mil vezes na noite de segunda-feira (horário local).

Um especialista em terrorismo disse que a situação parecia ser trabalho de um “lobo solitário”, que fez suas próprias exigências, em vez de um ataque orquestrado por um grupo jihadista estrangeiro.

“Não houve declarações do exterior ligando este evento com grupos extremistas de fora do país, o que é bastante positivo”, disse Charles Knight, professor da Universidade Macquarie especialista em polícia, inteligência e contraterrorismo. (Com Associated Press e Dow Jones Newswires)