Cidades

Célula financeira do Comando Vermelho é desarticulada pela PC de Goiás; R$ 20 milhões em bens foram apreendidos

Recursos mantinham vida luxuosa de lideranças da facção carioca em Goiás e também servia para alimentar operações da organização, que lavava dinheiro com auxílio de empresas de fachada. Dinheiro, cheques, joias, carros e imóveis de luxo foram apreendidos


Hugo Oliveira

Do Mais Goiás | Em: 20/12/2018 às 12:57:23


R$ 2 milhões em espécie foram apreendidos (Foto: Hugo Oliveira/Mais Goiás)
R$ 2 milhões em espécie foram apreendidos (Foto: Hugo Oliveira/Mais Goiás)

A Polícia Civil (PC) apreendeu e sequestrou, na quarta-feira (19), cerca de R$ 20 milhões em bens com integrantes do Comando Vermelho (CV) em Goiás. O montante obtido é composto por dinheiro, joias e cheques, bem como carros e imóveis de luxo. Nove pessoas foram presas e 32 mandados de busca e apreensão executados em residências e em seis empresas utilizadas como fachada para lavar o dinheiro advindo de negócios ilícitos. O material foi apresentado na manhã desta quinta-feira por delegados e agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), após 10 meses de investigação.

Batizada de Red Bank, em referência às movimentações financeiras que serviam para custear o estilo de vida e operações criminosas dos faccionados, a iniciativa apurou ainda o envolvimento de políticos de outros estados nas atividades do CV. Nomes e quantidade de pessoas, porém, não foram revelados para que as investigações não sejam prejudicadas. De acordo com o delegado Douglas Pedrosa, titular da Draco, o grupo de detidos era liderado por quatro integrantes a partir de celas em unidades prisionais. Os outros cinco executavam as ações, do lado de fora, lideradas por um homem identificado apenas como Pedro Henrique, com auxílio de Keila Mara, Álvaro Pereira e Onias Júnior; todos detidos.

Carros de luxo apreendidos são avaliados em R$ 5 milhões (Foto: Hugo Oliveira/Mais Goiás)

Para o investigador, era Pedro quem reunia os recursos obtidos com a venda de drogas – cerca de 500 quilos de cocaína vendidos a cada 15 dias – e era responsável por gerenciar e lavar o dinheiro, seja com a compra de bens, como carros, joias e apartamentos, ou com a aquisição de dólares por meio de três empresas de turismo, registradas em nome de Pedro, vinculadas a agências de câmbio. “Por meio das agências de turismo, eles contatavam empresas de câmbio em nome de clientes fictícios, utilizando para isso identidades e registros de pessoas – algumas delas – já falecidas. Assim, conseguiam afastar o aspecto ilícito do dinheiro o obtido com a venda de drogas”.

Organização ocultava origem ilícita dos recursos também com a compra de imóveis, avaliados em R$ 8 milhões (Foto: divulgação/PC)

As demais empresas associadas eram dos ramos de vendas, de materiais para escritório e de veículos. Depois de descaracterizado, o dinheiro era depositado em contas das referidas companhias, com aparência de legalidade. “As movimentações eram semelhantes às de instituições bancárias e serviam para manter o estilo de vida luxuoso dos suspeitos. Quando precisavam de recursos, acionavam Pedro Henrique, que organizava uma forma de entregar, limpo, o dinheiro ilegal”, reforça Pedroso. Em cinco anos, a estimativa da Draco é de que o grupo tenha movimentado R$ 1 bilhão.

“Golpe”

As apreensões são consideradas pelo delegado como um golpe nas ações da facção no Estado. “Acreditamos que se secarmos os recursos da organização, obteremos mais resultados, já que, sem dinheiro, os criminosos levarão um bom tempo para se reestruturarem em Goiás”. Titular da Secretaria de Segurança Pública (SSP) Irapuã Costa Júnior, presente na apresentação, é otimista em relação a desdobramentos da primeira fase da Red Bank. “Certamente as ações de quarta-feira, após 10 meses de dedicação policial, deixará a facção, bem como sua cúpula, aleijada por bastante tempo”.

Empresa utilizada para lavar dinheiro obtido com a venda de drogas (Foto: divulgação/PC)