Do Mais Goiás

Caso Valério Luiz: Após quase oito anos, julgamento dos acusados é marcado

Julgamento foi marcado para o dia 23 de junho e será presidido pelo juiz Lourival Machado da Costa, da 2ª Vara Criminal de Crimes Dolosos Contra a Vida

Após quase oito anos, julgamento dos acusados pela morte de Valério Luiz é marcado
Após quase oito anos, julgamento dos acusados pela morte de Valério Luiz é marcado

Após quase oito anos da morte do radialista Valério Luiz, o júri popular dos acusados foi marcado para o dia 23 de junho deste ano. Agora, o magistrado responsável para presidir o julgamento é o juiz Lourival Machado da Costa, da 2ª Vara Criminal de Crimes Dolosos Contra a Vida. O júri será realizado no Fórum Cível de Goiânia, a partir das 8h30 da manhã.

Serão julgados os cincos acusados pelo crime: Urbano de Carvalho Malta, Marcus Vinícius Pereira Xavier, o policial militar Ademá Figuerêdo Aguiar Filho, sargento reformado da PM, Djalma Gomes da Silva, o ex-presidente do Atlético Goianiense, Maurício Borges Carvalho. Este último é acusado de ser o mandante do assassinato.

Por meio de publicação nas redes sociais, o filho do radialista, Valério Luiz Filho, agradeceu a todo o apoio que recebeu desde o dia em que o pai foi assassinato. E ainda lembrou de algumas dificuldades que passou durante esse processo.

Lembro de meados de 2012, quando tantos disseram que deveríamos ‘deixar isso quieto’. Ou do começo de 2013, com as primeiras prisões temporárias e preventivas, quando caríssimos advogados e até setores da imprensa, em indecentes artigos, arrotavam com infinita prepotência que o inquérito jamais daria em nada e seria arquivado. Mas está aí, o julgamento ocorrerá, a despeito das resistências institucionais de anos e anos

E continuou:

Mas se não perdi a fé na Justiça e nas pessoas, é porque, por outro lado, recebemos sempre um gigantesco apoio da maior parte da imprensa, de instituições da sociedade civil, da população, familiares e amigos. Bem como de delegados, promotores e magistrados que não relutaram em fazer seu trabalho. Apoio que mais uma vez e humildemente peço para esta fase tão decisiva. Acho que nunca devemos perder a confiança na mobilização das pessoas de boa-vontade em prol das causas justas, e isso sempre será uma força muito poderosa

Impasse

Em abril do ano passado, o então juiz responsável, Jesseir Coelho de Alcântara, assinou um despacho em que declarava que o julgamento não era possível de ser marcado devido à falta de estrutura do local. Na época, o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) alegou que a construção de um prédio de várias varas criminais foi aprovado e que o local em que as sessões aconteciam foram adaptados até o fim das obras.

Em outubro de 2019, Jesseir marcou a data de um dos julgamentos. Segundo ele, as sessões seriam desmembradas. A motivação, mais uma vez, seria por falta de estrutura. O primeiro júri seria realizado no próximo dia 19 de fevereiro de 2020. O Diretor do Foro da capital, Paulo Cesar Alves das Neves, explicou ao Mais Goiás, à época, que houve um atraso nas obras devido à burocracia necessária para esse andamento. E que a construção seria concluída até o dia 31 de janeiro deste ano.

Porém, em dezembro desse ano, Jesseir declarou suspeição para julgar a morte do cronista esportivo. De acordo com a decisão assinada pelo magistrado, ele alegou foro íntimo como motivo para pedir afastamento do caso.

Caso

Valério Luiz, que tinha 49 anos, foi assassinado em 5 de julho de 2012, no momento que deixava o trabalho. À época do crime, a Polícia Militar (PM) destacou que uma moto se aproximou do carro da vítima e fez seis disparos contra ele

Dois anos após a morte do radialista, foi determinado que todos os acusados fossem levados ao banco dos réus. Devido à demora para solução do caso, familiares e amigos de Valério realizaram um passeata para pedir celeridade no julgamento dos acusados no ano de 2017, quando o crime completou cinco anos.