Do Mais Goiás

Casais goianos contam histórias de amor de como se conheceram pela internet

No Dia dos Namorados, casais goianos relembram suas histórias de amor, que tiveram início na web

Pelo segundo ano consecutivo, o Dia dos Namorados é comemorado em meio à pandemia. Considerada a data mais romântica do ano, o período é perfeito para ficar ao lado de quem se ama. A comemoração da data, assim como as relações afetivas, em especial as amorosas, foram diretamente afetadas pelo caos causado pelo coronavírus. Os solteiros tiveram de se adaptar para encontrar novos parceiros no tempo em que beijos e abraços foram substituídos por gestos à distância. Pensando neste cenário, o Mais Goiás separou histórias de goianos que iniciaram o namoro pela web, especialmente através das redes sociais e aplicativos de relacionamento.

Foi num dia de quarentena que o olhar atento do jornalista Luiz Carlos Sarlo reparou em Caíque Fernandes no stories de um amigo no Instagram. “Ele estava com camisa cor marca texto e me chamou atenção por ser loiro, gosto de homens loiros. Mandei uma mensagem para o meu amigo perguntando o nome da pessoa. A gente se seguiu e dali começamos a conversar”, lembra Luiz.

Apesar do olhar atento, os dois afirmam que foi o sorriso que mais chamou atenção um do outro. “Ele tem um sorriso muito lindo. Então, isso chamou muita atenção e até hoje chama, né?”, diz Caíque. E foram com sorrisos e muitas brincadeiras que o casal já está junto há 7 meses. “A gente brinca, a gente ri, a gente conversa de tudo”, comentou.

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À esquerda Luiz Carlos e à direita Caíque, que se conheceram durante a pandemia, pelas redes sociais (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Luiz afirma que, além da beleza e diversão, os dois têm em comum o alinhamento político, ponto que, para ambos, é crucial. A afirmativa é comprovada, segundo o Tinder, que revelou que muitos usaram o aplicativo para espalhar o que chamam de ‘importância da democracia’, enquanto outros fizeram disso o motivo para não escolher alguém. As menções a ‘voto’ dobraram em 2020, segundo o aplicativo.

Caíque relata que respeitava o próprio sentimento de não querer iniciar relacionamentos sérios, mas que não tem dúvidas de que Luiz transformou o significado de amor para ele. “Nosso relacionamento é totalmente diferente do que os dois já viveram no passado, de relações não tão positivas. Então, com certeza enxergamos de outra forma sim”, disse.

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Apesar do olhar atento, os dois afirmam que foi o sorriso que mais chamou atenção um do outro. (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Com ideais semelhantes, os dois sonham em viajar juntos em um momento mais tranquilo e sem coronavírus. “A gente quer muito que a nossa primeira viagem internacional seja para Paris. Não tenho muitos planos para frente. Quero estar com ele e ele quer estar comigo, o restante a gente deixa que a vida leva, a vida escreve, porque a vida não é um roteiro, né? A vida é uma cena livre”, completa Luiz.

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Com ideais semelhantes, os dois sonham em viajar juntos num momento mais tranquilo e sem o vírus (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

’37’

Enquanto alguns casais iniciaram o relacionamento durante o período de quarentena, outros se fortaleceram com a pandemia. Edilson Borges e Geovanka Paixão estão juntos desde pouco antes do início da pandemia no Brasil. Eles compõem a estatística numérica de sucesso amoroso do Tinder, aplicativo que conta com cerca de 50 milhões de usuários. 

Foi com o app que a expressão ‘deu match’ se popularizou para se referir a algo que combinou. Em dados divulgados pela empresa, estima-se que, em todo o mundo, aconteçam pelo menos 1,5 milhão de encontros por semana arranjados pelos ‘matches’.

E foi justamente após um match no Tinder pouco antes da pandemia que o engenheiro de software e a analista de enfermagem iniciaram uma longa conversa por troca de áudios. O uso das sonoras foi ponto positivo mútuo, segundo eles. “Fui surpreendido porque ela mandava muito áudio e eu gosto pra caramba de mandar também. Então, já tive uma primeira boa impressão”, diz o Edilson.

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Edilson Borges e Geovanka Paixão afirmam que desejam estar casados daqui há 5 anos (Foto: Jucimar de Sousa / Mais Goiás)

Segundo Edilson, ele estava em diversos aplicativos de relacionamento, mas não queria nada sério e já não acreditava mais em amores para vida toda. Tudo mudou quando se pegou pensando em Geovanka em todos os lugares em que ia com os vários amigos. “Não queria namorar. Achava que aquilo ali não ia ser positivo, mas fui surpreendido porque encontrei a mulher da minha vida”, afirma com orgulho.

Geovanka conta que até tentou ser menos intensa. Por conta da frustração em relacionamentos anteriores, tinha medo de iniciar um namoro precoce. A insegurança faz sentido, já que, segundo a pesquisa da Happn, o povo brasileiro é o que mais mente durante a web-paquera (51%), em comparação a outros países (29%). No entanto, com pouco mais de um mês de aproximação, Edilson já havia decidido que queria embarcar em um relacionamento sério. 

“Um dia, na casa de um amigo, ele ficou falando que devíamos namorar, mas eu negava, dizia que estava bêbado e que nem se lembraria. Ele brincou: ‘escolhe um número, que amanhã vou me lembrar dele e de tudo que estou te dizendo’, e eu respondi ’37’”, disse. No dia seguinte, logo ao acordar, o primeiro questionamento de Geovanka foi acerca do número combinado no dia anterior. “Ele respondeu: 37, eu não estava brincando’”, relembra. 

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Segundo Edilson, ele estava em diversos aplicativos de relacionamento, mas não queria nada sério. Tudo mudou quando se pegou pensando em Geovanka em todos os lugares em que ia com os vários amigos. (Foto: Jucimar de Sousa / Mais Goiás)

Conforme relata Geovanka, apesar de serem considerados o ‘casal do rolê’, o que deu força ao relacionamento foi a intensa convivência que tiveram durante o período de quarentena e isolamento social. Foi com fins de semanas regados a filmes, jogos, séries e bebidas a dois, que a intimidade do casal se fortaleceu. “A gente não saía por causa da pandemia. Com isso, a gente se conheceu mais e deu muito mais certeza para o nosso futuro”, expõe. 

Se, por um lado, Geovanka mostrou para o desacreditado Edilson que ainda existe amor, o desenvolvedor provou para a mulher que o amor é algo leve e repleto de liberdade e companheirismo. “O Ed veio pra provar que o amor tem que ser leve. A gente é acostumado com aquela coisa de que amor é turbulência, brigas, mas não. Você tem que ser você, não tem que mudar seu jeito, fingir algo que não é. Não tenho que me esforçar pra caber na vida dele e nem ele se esforçar pra caber na minha”. 

Quando questionados sobre como querem estar em 5 anos, os dois afirmam que desejam estar casados. Edilson ainda arriscou. “Se ao invés de 5 anos me perguntassem 50, certamente eu responderia da mesma forma”, afirma. Geovanka reforça: “apesar de ser o casalzinho do rolê, nós somos fofos e gostamos de ser românticos”, brinca.

Com ajuda do Facebook

De acordo com uma pesquisa feita pelo aplicativo de relacionamento Happn em 2018, no Brasil, cerca de 60% dos internautas fazem uso dos apps. E se engana quem pensa que as relações iniciadas virtualmente são superficiais. A consultora de vendas Ana Paula Moraes conheceu a antropóloga Isabella Gonzaga pelo Facebook, há 5 anos. Hoje, elas estão noivas

Ana Paula diz que foi na rede social onde tudo começou. Ao entrar no perfil do único amigo que as duas tinham em comum para deixar uma mensagem de aniversário, a mulher acabou sendo atraída pela foto da atual noiva. “O olho brilhou, entrei no perfil dela e de cara vi uma publicação sobre a luta LGBTQI+. O primeiro pensamento foi: ‘será, gente?'”.

No que chama de ‘ímpeto de coragem’, a consultora diz que resolveu mandar uma mensagem para Isabella elogiando o gosto musical dela. “Era muito cedo para dizer o quanto eram bonitas as covinhas fundas na bochecha dela”, brinca. Por outro lado, Isabella lembra que no primeiro contato não prolongou a conversa. “Não alonguei muito essa conversa, apenas agradeci e desejei um bom final de semana”, narra.

O tempo passou e as ‘tiquinhas’, apelido pelo qual gostam de chamar uma a outra, fortaleceram o amor através da admiração em comum pelas expressões artísticas e, principalmente, musicais. “Temos uma relação muito íntima com a música. Aliás, foi através delas que nos encontramos, de certo modo. ‘I say i little prayer for you’, da Aretha Franklin e ‘Sister’, da Algel Olsen, têm letras que dizem um tanto sobre como percebemos o significado do nosso relacionamento”, explica Isabella.

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As noivas consideram que entenderam juntas que amar é ‘acolhimento e a prática de cuidado” (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Preconceitos

Por serem duas mulheres em um relacionamento público e feliz, as duas acabaram enfrentando momentos de dificuldade, principalmente quando Ana Paula assumiu o relacionamento homoafetivo para a família. “Ela foi como uma rocha firme quando eu estava já cansada. Jamais me esquecerei”, relembra Ana.

Unidas, as duas aprenderam a passar por cima dos preconceitos sofridos. Agora, as noivas consideram que entenderam juntas que amar é ‘acolhimento e a prática de cuidado”, como descreve Isabella. “Ao lado dela, aprendi a me enxergar com mais amor, a ter orgulho da mulher lésbica que sou. Aprendi a não temer, mas ser valente”, completa Ana Paula.

Quando questionadas de como querem estar daqui há 5 anos, elas novamente se completam ao responderem que querem estar decorando um lar próprio e repleto de afeto. “Discutindo quem irá escolher o filme da vez ou quem irá preparar o almoço. Espero que estejamos com saúde, força e potência para seguir caminhando e lutando”, sonha Isabella.

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Quando questionadas de como querem estar daqui há 5 anos, elas novamente se completam ao responderem que querem estar decorando um lar próprio e repleto de afeto (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)