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Casa desmorona em área de risco após chuva, no Jardim Novo Mundo

Local se tornou um dos maiores imbróglios da Defesa Civil. Local vivem 500 famílias que, apesar dos riscos, se recusam a sair no local


Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás | Em: 11/05/2019 às 12:26:36

Casa cedeu após chuva que atingiu a região (Foto: Divulgação/ Defesa Civil)
Casa cedeu após chuva que atingiu a região (Foto: Divulgação/ Defesa Civil)

Mais uma casa desmoronou na área de risco do Jardim Novo Mundo, em Goiânia, após a chuva que caiu na região na tarde desta sexta-feira (10).  Segundo a Defesa Civil, mesmo diante de tantos casos recentes, os moradores ainda se recusam em sair da região. Apesar do estrago, ninguém ficou ferido.

De acordo com o coordenador de área de risco da Defesa Civil, Cidicley Santana, o solo do local passa por uma crítica situação de fragilidade, tendo em vista que choveu apenas 15 milímetros na região durante 30 minutos.

“A chuva era leve, porém a força da água não é o único fator a ser levado em consideração, pois com pouca quantidade [de chuva] tivemos a situação de ontem. O local está ficando cada vez mais frágil’, destaca.

Além disso, as 500 famílias que vivem no local resistem em sair da região acreditando que, se abandonarem o local, perderão o direito de ser beneficiado com a casa própria. Diante isso, o Cidicley aponta que é feito um constante trabalho de monitoramento. “Temos os contatos dos moradores e sempre orientamos para, em ocasião de chuva, abandonarem suas casas e procurarem um local mais seguro”, explica.

Pelo olhar de Cidicley, a situação tende apenas a piorar. Ele faz uma alusão que o local está como uma cadeira que perde uma das pernas. “Quando isso acontece, a cadeira pode ainda se manter em pé, mas, se tirar outra perna cair, ela não aguenta e cairá. A mesma coisa acontece na região. A base está comprometida e o morro fixo já desmoronou 20% e, a cada chuva, cede nessa média”, ressalta.

Um novo relatório de monitoramento de área de risco foi confeccionado e será encaminhado para o Ministério Público Federal (MPF), Superintendência de Patrimônio da União (SPU) e a Secretária Municipal de Planejamento e Habitação (Seplanh).

Problema Recorrente

O então chamado Residencial Lotus está interditado desde o último dia 16 de abril, quando fortes chuvas atingiram a região. Segundo Cidicley, no dia, foram registrados 50 milímetros de precipitação. Na ocasião, parte do barranco desmoronou e três casas foram interditadas. Bombeiros foram acionados para socorrer algumas famílias que ficaram ilhadas durante o temporal. As famílias ficaram abrigadas em casas de vizinhos.

O local é descrito pela Defesa Civil como uma “bomba relógio prestes a explodir”. Em janeiro deste ano, o Mais Goiás mostrou a situação das famílias que vivem na área. Na ocasião, foi descoberto que o espaço pertence à União e, por mais que seja grave a situação, o Município não pode interferir nos futuros das famílias.

Situação em Janeiro deste ano (Foto: Divulgação/Defesa Civil)

Porém, outra vistoria já tinha sito feita em outubro de 2017, quando viviam 350 famílias na região. Na época, a área era tida como a mais grave dentre as 18 áreas de risco existente em Goiânia. Os gestores municipais também alegaram que o Poder Público Federal já teria sido informado da situação.

Vista do local durante inspeção realizada em 2017 (Foto: Divulgação/ Defesa Civil)