Anápolis

Caracal traz tecnologia e concorrência para indústria bélica brasileira, afirmam especialistas

A empresa, que tem sede em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, começa a operar em Anápolis em 18 meses


Karla Araujo
Do Mais Goiás | Em: 23/04/2017 às 16:46:07

Espera-se que sejam gerados 1.250 empregos diretos e indiretos em Goiás (Foto: Reprodução)
Espera-se que sejam gerados 1.250 empregos diretos e indiretos em Goiás (Foto: Reprodução)

Com a promessa de investimentos na ordem de R$ 500 milhões ao longo de 10 anos, a Caracal Internacional lançou no início deste mês a pedra fundamental para construção da nova filial da indústria em Anápolis. A empresa fabrica pistolas, metralhadoras e refiles e tem sede Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A filial em Goiás é a primeira do Brasil e deve gerar 1.250 empregos diretos e indiretos no Estado.

A Caracal encontrará no País o mercado bélico dominado pelas empresas Imbel e Taurus. A primeira é a responsável pelo fornecimento de armas para o Exército e principal concorrente da Caracal, que aposta na fabricação de armas com maior calibre. O foco da Taurus – empresa gaúcha – são as policiais.

A vinda da Caracal para o Brasil foi firmada após visita do governador Marconi Perillo aos Emirados Árabes, em março deste ano. A operação da empresa deve começar em um ano e meio.

Professor de Empreendedorismo e inovação do Instituto de Pós-Graduação e Graduação (Ipog), Vandelei Villarino, afirma que o primeiro setor a ser beneficiado com a vinda desta empresa para Goiás é a construção civil. Além disso, Villarino acredita que o investimento na valorização de profissionais locais que se especializaram em engenharia mecânica e áreas semelhantes também será maior.

“É claro que eles trazem os cabeças da empresa de fora para colocar ordem na casa nova, mas com certeza darão oportunidade para mão de obra especializada local”, afirma o professor. A Universidade Estadual de Goiás (UEG) já firmou parceria com a Caracal para realizar pesquisas no setor e fornecer mão de obra.

Espera-se ainda, afirma Villarino, grande retorno em tributos e na compra de matéria-prima. “Este tipo de empresa já traz confiança de fora. A Caracal não está mirando apenas o mercado brasileiro, mas de toda a América do Sul”, afirma o especialista.

Tecnologia

Para Ivan Hermano Filho, especialista em segurança e diretor da empresa Tecnoseg, a vinda da Caracal para Goiás é uma excelente notícia por diversos motivos, entre eles a tecnologia de ponta que a indústria bélica traz para o Brasil. “Eles têm acesso aos maiores especialistas em armas do mundo, entre design e engenheiros”, afirma Hermano Filho.

Inicialmente, a Caracal vai focar a produção de armas de calibres utilizados pelas forças policiais, o que não beneficiará as empresas privadas de segurança que atuam no Brasil. Vale lembrar as policiais brasileiras apenas podem comprar armas de fabricação nacional.

“Isso quer dizer que a segurança pública terá acesso ao que existe de mais avançado, o que beneficia a população de forma geral. Se a empresa decidir fabricar armas de calibres menores, os clientes de empresas privadas de segurança também podem ser beneficiados diretamente”, explica Hermano Filho.