Canonização de Irmã Dulce está marcada para o próximo domingo (13); veja curiosidades sobre a freira

Primeira santa nascida em solo brasileiro, Irmã Dulce deixa como marca os milagres e a determinação em cuidar do próximo


Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás | Em: 11/10/2019 às 19:32:20

Canonização de Irmã Dulce está marcada para o próximo domingo (13); veja curiosidades sobre a freira (Foto: Reprodução/Site da Osid)
Canonização de Irmã Dulce está marcada para o próximo domingo (13); veja curiosidades sobre a freira (Foto: Reprodução/Site da Osid)

A canonização de Irmã Dulce está marcada para o próximo domingo (13), na Itália. Após isso, ela será considerada santa pela Igreja Católica. Entretanto, ela é assim conhecida pelos baianos há algum tempo. O reconhecimento da religiosa é devido aos milagres e a determinação em cuidar dos outros. Com isso, Irmã Dulce se torna primeira santa nascida no país e a terceira com a canonização mais rápida do mundo, perdendo apenas para Madre Tereza de Calcutá e Papa João Paulo II.

Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes nasceu em 26 de maio de 1914 , em Salvador (BA). Com o jeito doce e meigo, ela conviveu com pessoas poderosas, fez o Papa mudar agenda em visita ao país e conseguiu fazer político cumprir promessa. Veja dez curiosidades sobre a santa brasileira.

Nobel da Paz à Irmã Dulce

Ela concorreu ao prêmio de Nobel da Paz, em 1988, após ser indicada pelo então presidente, José Sarney. Além disso, ela recebeu o apoio da Rainha Sílvia, da Suécia. Irmã Dulce não recebeu o prêmio, mas fez com que sua obra passasse a ser reconhecida mundialmente.

Hospital era, antes, galinheiro

Atualmente, cerca de 3,5 milhões de procedimentos anuais são realizados no principal legado da freira: as Obras Sociais Irmã Dulce. A curiosidade é que, antes do hospital, o local era um galinheiro. Tudo começou em 1949, quando ela não tinha onde abrigar 70 doentes. Para alocá-los, decidiu pedir autorização a superiora para utilizar o galinheiro que tinha ao lado do Convento Santo Antônio. Foi assim que surgiu a frase de que “o maior hospital da Bahia surgiu a partir de um galinheiro.”

Cobrando obras na ditadura militar

Com o crescimento nos atendimentos de assistência social, o então presidente na época da ditadura militar, João Figueiredo, se emocionou ao ver a precariedade do Hospital Santo Antônio, após visita à Salvador, em 1979. Ele prometeu ajuda, mas não cumpriu de imediato. Após se encontrem dois anos e meio após o primeiro encontro, Irmã Dulce não se intimidou e cobrou a construção do espaço.

Telefone Vermelho

Com o trabalho humilde, Irmã Dulce conseguiu arrecadar doações de diversos poderosos. O empreiteiro Noberto Odebrecht, o banqueiro Ângelo Calmon de Sá, o ex-governador Antônio Carlos Magalhães, e o ex-presidente José Sarney são alguns que ajudaram nas obras sociais. Este, por sua vez, deu o telefone do seu gabinete a freira. Ela era a única pessoa não ministro ou militar que tinha esse contato. Apesar disso, ela nunca subiu em palanque político ou teve afiliação política.

Nome religioso foi homenagem à mãe

Como citado anteriormente, Dulce não era o nome verdeiro dela e sim de sua mãe, Dulce Maria. No batismo, ela ostentava um extenso nome. Isso era típico em pessoas que nasceram no início do século passado. Entretanto, depois de perder a mãe aos sete anos de idade, após a mesma ter hemorragia em um parto, ela resolveu adotar o nome da genitora ao entrar na vida religiosa e receber o hábito.

Como bom brasileiro, amava futebol

Após a morte da mãe, o pai de Dulce passou a ser mais presente e teve uma ideia interessante para unir a família. Todo domingo, ele levava Dulce e os quatro irmãos ao Campo da Graça, principal estádio da Bahia na época. Ela era torcedora fiel do Ypiranga. Ela gostava tanto de futebol que o pior castigo quando aprontasse algo era ser proibida de ver os jogos.

Dormia sentada

Ela quase passou novamente pelo trauma de perder um ente querido no final de gestação. A irmã dela teve uma gravidez muito difícil e, em 1955, ela fez uma promessa que dormiria em uma cadeira se a gestação terminasse bem. Isso aconteceu e ela cumpriu a palavra. Só voltou a dormir em cama 30 anos depois, pois passou a sofrer sérios problemas de saúde e foi convencida pelos médicos que a situação poderia piorar.

Amante da arte

Irmã Dulce gostava de forró e ainda era um ótima tocadora de gaita. Assim como as obras sociais, ela também criou o Cine Roma, em 1948. Lá, além de exibição de filmes, era local de diversos shows. Foi no palco montado por ela que Roberto Carlos fez a primeira apresentação em solo baiano, no ano de 1965. No local, também tocaram Raul Seixas e Waldick Soriano.

Admiração ao Papa João Paulo II

Irmã Dulce era um admiradora do Papa João Paulo II. Mesmo com problemas no pulmão, ela esteve presente na primeira vez que o Pontífice esteve na capital baiana. Isso aconteceu em 1980, num dia de muito vento e chuva no local. Ela foi chamada no altar para receber bênção especial do Papa e foi ovacionada pela multidão que estava no local. Apesar disso, a religiosa ficou 20 dias internada, após desenvolver pneumonia.

Mudança na agenda do Papa João Paulo II

Em outubro de 1991, o Papa retornou a Salvador e foi ele quem foi até Irmã Dulce. O encontrou não estava programado e houve uma alteração na agenda do Pontífice. Ele foi visitá-la no Convento Santo Antônio. Nessa época, ela já estava com a saúde bastante debilitada, com a capacidade respiratória reduzida em 70%. O Papa foi reconhecido pela religiosa e ficou alguns minutos no local. Logo após, ele ajoelhou aos pés da escada que levava ao quarto dela e rezou. Aos presentes teria dito: “Esse é o sofrimento dos inocentes. Igual ao de Jesus.”

Cinco meses depois, Irmã Dulce morreu. Mas precisamente no dia 13 de maior de 1992, aos 77 anos.

 *Com informações do Uol e TV Jornal