Investigação

Câmara Municipal ouve ex-diretores da Semas sobre o caso do sal comprado como sabão

Cerca de uma tonelada de um pó azul armazenado em sacos de 3 e 5 kg, que deveria ser sabão, era na verdade sal. CEI investiga o caso


Fabricio Moretti
Do Mais Goiás | Em: 17/06/2019 às 19:04:15

Produto seria distribuído para as unidades Cras, Creas, NAS e Casa da Acolhida (Foto: Divulgação)
Produto seria distribuído para as unidades Cras, Creas, NAS e Casa da Acolhida (Foto: Divulgação)

Nesta segunda-feira (17) a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Goiânia divulgou que ex-diretores da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) foram ouvidos pela respeito do caso do sal comprado como sabão em pó.

Os vereadores Felizberto Tavares (PR), Anselmo Pereira (PSDB) e Emilson Pereira (Podemos) questionaram os ex-diretores sobre a compra de 2,5 toneladas de sabão em pó que posteriormente descobriram ser sal tingido de azul. E também abordaram a situação dos almoxarifados de vários Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), que tinham alimentos impróprios para consumo

Os ex-diretores João Inácio e Gilberto Souza declararam que, no caso do sabão, o pedido da compra não foi feito nas gestões dele. João Inácio não soube explicar quanto à compra do sabão adulterado ou a data e o órgão que pediu o produto. Mas disse que a compra foi enviada pela Secretaria Municipal de Administração (Semad) às unidades da Semas e que a despesa também ficou com aquela pasta.

Anselmo disse que acredita “que a maioria dessas irregularidades e má gestão da pasta são resultados de indicações políticas e do uso da Semas para promoção de candidatos à eleições no Município, ocasionando prejuízos aos cofres públicos”.

CEI da Semas ouve três ex-diretores de administração (Foto: divulgação/Câmara Municipal de Goiânia)

CEI da Semas ouve três ex-diretores de administração (Foto: divulgação/Câmara Municipal de Goiânia)

O caso

Na última quarta-feira (12) a CEI recebeu uma denúncia sobre um estoque de falso sabão em pó armazenado no almoxarifado da Semas, no Setor Aeroporto. Segundo Felizberto Tavares, ao chegarem no local constataram cerca de uma tonelada de um pó azul armazenado em sacos de 3 e 5 kg. Ao verificarem, o que seria sabão era na verdade sal.

O vereador acionou a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap) e a Vigilância Sanitária. O produto seria distribuído para as unidades Cras, Creas, NAS e Casa da Acolhida. A mercadoria foi apreendida pela CEI.

Em nota, a Semas informou que está “tomando todas as medidas necessárias como recolher o sabão em pó que foi distribuído em suas Unidades”. Ainda conforme a pasta da assistência social, o “sabão” foi adquirido pela Secretaria Municipal de Administração (Semad).