Câmara de Anápolis discutirá liberação de shows; promotor de eventos defende passaporte da vacina

Médico infectologista afirma que passaporte da vacina pode ajudar em partes e diz que é preciso bom senso do poder público: "Para restringir, houve decreto; para liberar, querem criar lei"

Promotor de eventos defende passaporte da vacina como motivação para quem não se vacinou, reconhece que pandemia não acabou, mas diz que setor tem condições de voltar (Foto: Luiz Gustavo)

A Câmara Municipal de Anápolis começa, na próxima semana, a discutir a possibilidade de liberação de shows e eventos na cidade ainda que com restrições como medidas de combate à pandemia de Covid-19. No panorama de risco leve, atualmente essas atividades não estão permitidas no município.

De acordo com o presidente do Legislativo, Leandro Ribeiro (PP), a discussão envolverá a Secretaria de Saúde, a Vigilância Sanitária, a Vigilância Epidemiológica e o Executivo. Isso para, segundo Leandro, liberar, dentro das restrições necessárias, 50% do público com aferição de temperatura, álcool em gel e demais protocolos.

“O que a gente precisa fazer, é aprender a viver com essa pandemia porque senão as pessoas vão morrer de fome”, afirma o presidente da Câmara. Ele cita, ainda, a cadeia de profissionais afetados com os eventos paralisados. “Não somente nesse segmento, todos que geram emprego e renda precisam trabalhar”, diz o parlamentar.

Passaporte da vacina

Para o produtor de eventos Werlan Moura, o setor tem condições de retomar as atividades. Ele defende a exigência da vacinação como ingresso em shows, a considerar o avanço da aplicação da primeira e segunda dose. “Defendemos o passaporte da vacina até como motivação para quem não se vacinou. Somos conscientes de que a covid-19 não acabou, mas hoje temos condições de voltar a trabalhar com segurança”, afirma.

Werlan lembra que o segmento foi o primeiro a parar e está sendo um dos últimos a voltar. Ele também justifica que o setor fomenta a economia local quando tem shows. No último, com a presença de Gusttavo Lima na cidade, em dezembro de 2019, Werlan afirma que 440 pessoas foram contratadas como mão de obra direta.

O produtor de eventos acredita que o “fim do pesadelo da pandemia” está próximo, já que está mais que comprovado que a vacina funciona. “Os índices de internação, de ocupação de leitos de enfermaria e de UTI caíram bastante. Anápolis é exemplo disso”, afirma. “As pessoas necessitam de alegria e nosso setor promove esse sentimento”, diz.

De acordo com o boletim epidemiológico deste sábado (18), nenhuma das 109 vagas de enfermaria disponibilizadas pela Secretaria Municipal de Saúde está ocupada em Anápolis. Do total de 93 leitos de UTI, 10 estão ocupados.

Cautela e bom senso 

De acordo com o médico infectologista Marcelo Daher, o passaporte da vacina pode ajudar em partes, tendo em vista que a imunização não protege 100%. O médico lembra que as medidas restritivas tiveram efeitos positivos no achatamento da curva, apesar de não impedir a transmissão da doença.

“De qualquer maneira, é importante que cada um entenda qual é o seu grau de risco, o seu grau de exposição e até onde quer ir. Qual o preço quer pagar por cuidar ou não cuidar da sua saúde”, afirma o médico.

“Por exemplo, se você vai em um evento onde tem 50% de liberação de ocupação máxima e você contrai a doença ali dentro, quem vai se responsabilizar? Para restringir, houve decreto. Para liberar, querem criar lei. É preciso bom senso nesse momento”, pontua.