Novela Hugo

Caiado não garante emprego de funcionários do Hugo, diz Sindsaúde

Em reunião com o sindicato, governador teria afirmado também que fará um novo enxugamento. Entidade promete paralisação do hospital


Artur Dias
Do Mais Goiás | Em: 17/09/2019 às 19:46:09

Foto: Jefferson Rudy
Foto: Jefferson Rudy

O governador Ronaldo Caiado não deu garantias de que os funcionários do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) não serão demitidos. A afirmação teria sido feita em reunião com sindicalistas na manhã desta terça-feira (17), segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores(as) do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (Sindsaúde/GO), Flaviana Alves. Até o fechamento da matéria, a assessoria do governador não confirmou a reunião e afirmou que o democrata passou a tarde em Brasília.

Os sindicalistas foram ao governador em busca de garantias quanto aos direitos dos trabalhadores no processo de transição. O sindicato quer a permanência da escala hoje praticada (com jornada de 30 horas semanais), e dos funcionários que trabalham na unidade.

A resposta do Palácio das Esmeraldas, de acordo com Flaviana, foi que não é possível garantir nada. “Caiado disse que precisaria fazer um novo enxugamento da máquina. Ele falou, também, que tentou amenizar fazendo a redução de carga horária com redução de salário, mas que a medida não foi bem vista. No final ele falou que o problema do Hugo é fichinha perto do problema do estado”, disse a presidente.

Resposta de Caiado pode levar à paralisação

Flaviana afirmou que o sindicato vai tentar evitar um processo de transição entre Organizações Sociais (OSs), pois isso pode prejudicar os trabalhadores. Mas destaca que a paralisação das atividades irá acontecer caso não tenham uma resposta positiva.

“Iremos ao Conselho Estadual de Saúde na amanhã (18), onde o secretário de Saúde irá apresentar o contrato. Na quinta (19), vamos ao Ministério Público cobrar alguma medida. Já temos uma assembleia dos trabalhadores marcada para sexta-feira (20), às 18 horas. Se a situação não melhorar, a assembleia vai votar a paralisação dos serviços”, reforçou a sindicalista.

Entenda

O rumor da demissão em massa de trabalhadores do Hugo surgiu logo que o resultado do processo de chamamento público foi publicado, em agosto. À época, o Instituto Nacional de Amparo a Pesquisa e Tecnologia Inovação na Gestão Pública (INTS), OS vencedora do certame, publicou nota afirmando que “assegura aos profissionais contratados no Hugo integral respeito às leis vigentes e que serão tratados com toda dignidade e respeito”.

Em setembro, o Mais Goiás teve acesso, com exclusividade, a e-mails do INTS em que funcionária da OS solicita o custo de verbas rescisórias separado por função. “Conforme nos falamos por telefones, preciso de todo o custo de verbas rescisórias (médias, FGTS etc…) separado por função (sic)”, diz um dos textos.

E-mail sugere que INTS pretende demitir funcionários; cerca de 1,3 mil trabalhadores podem perder seus empregos (Imagem: reprodução/Mais Goiás)

Problemas trabalhistas

O (INTS), está envolvido, direta ou indiretamente, em pelo menos 79 processos, grande parte deles de natureza trabalhista. A OS possui sede em Salvador (BA) e trabalha há 10 anos no ramo de gestão hospitalar. Ao longo do período de atuação, a OS acumulou 47 processos trabalhistas. Nove deles em São Paulo e os outros 38 na Bahia, estados onde a INTS têm atuação.

O Diretor de Planejamento da OS, Allan Wailes de Holanda Cavalcanti, aparece também como sócio da empresa Intensicare UTI. A empresa responde a 149 processos, 32 deles ligados à Allan Cavalvanti. A maioria dos processos está concentrada também na Bahia, estado de origem da INTS. São 138 no estado além de outros seis no Distrito Federal, Tocantins e Goiás.

Em entrevista ao Mais Goiás, Allan Cavalcanti afirmou que os processos trabalhistas correspondem a ajustes de administração feitos no momento em que se assumem unidades hospitalares.

“Quando assumimos a gestão de um hospital, é natural que façamos ajustes de mão de obra”, disse Allan. “Em muitos desses casos o trabalhador, quando acha que tem direito, recorre à justiça. Não temos nenhum processo em que deixamos de cumprir nossas obrigações”, afirmou o diretor da INTS.