“Brincadeira” com munição de festim acaba com vigilante baleado em cadeia de Caldas Novas

Vítima foi atingida duas vezes; autor teria confundido arma munição falsa com outra, carregada com munições letais. Presidente de sindicato levanta hipótese de discussão entre os envolvidos; PC investiga o caso

Unidade Prisional de Caldas Novas (Foto: Reprodução)
Unidade Prisional de Caldas Novas (Foto: Reprodução)

Um vigilante penitenciário foi baleado, na manhã deste domingo (11), por um colega de trabalho durante uma “brincadeira” envolvendo tiros de festim dentro da Unidade Prisional (UP) de Caldas Novas. Jader Brandespin estava de serviço quando foi atingido por disparos efetuados por Gilberto Fontoura, também vigilante do presídio, que teria confundido a arma municiada com festim com o armamento carregado com munições letais. As informações são do registro da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO).

A vítima foi atingida por dois disparos: um na barriga e outro no braço. Gilberto e Jader estariam com as armas municiadas com projéteis letais no coldre da cintura e os armamentos com tiros de festim nas mãos. Após receber dois tiros de festim, Gilberto teria se confundido com as armas e disparado contra a vítima. Ao notar que o colega sangrava, Gilberto percebeu ter atirado com o armamento errado. Ele levou Jader para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) local, onde foi atendido pela equipe médica.

Em nota enviada ao Mais Goiás, a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) informou que tomou as providências cabíveis e que o autor já foi demitido. Também foi aberto um procedimento interno para apurar o caso.

Segundo o presidente do Sindicato dos Agentes Prisionais, Maxsuell Miranda, o ocorrido não foi uma brincadeira, mas uma discussão entre autor e vítima. “Isso mostra o despreparo e a imperícia dos envolvidos. Eles [DGAP] estão dizendo que eram tiros de festim, mas na verdade o que ocorreu foi uma discussão entre os dois, que resultou nessa tragédia”, declara.

“Um servidor que efetua e alveja com dois disparos outro servidor está preparado para exercer nossa profissão? Claro que não! Uma pessoa assim pode fazer uma chacina dentro da UP e você ser preso junto com ele por omissão”, completa.

Por ter se apresentado espontaneamente acompanhado de seu superior e, também, por ter prestado socorro à vítima, o delegado Rogério Moreira decidiu não decretar a prisão de Gilberto. Um inquérito policial foi aberto para apurar as circunstâncias do ocorrido.

O Mais Goiás tentou checar o estado de saúde de Jader, às 11h23 desta segunda-feira, mas as chamadas não foram atendidas.

*Thaynara Cunha é integrante do programa de estágio do convênio entre Ciee e Mais Goiás, sob orientação de Hugo Oliveira